A alta do petróleo, que levou o barril do Brent a US$ 117 na sexta-feira (23), impõe ao próximo governo brasileiro o desafio de manter subsídios aos combustíveis sem ampliar a pressão fiscal. A cotação acumula alta de cerca de 80% em 2026.
A subvenção ao diesel, prorrogada em setembro, deve ser estendida por pelo menos mais 30 dias. A política de preços da Petrobras também está sob pressão, enquanto o diesel vendido pela estatal às distribuidoras permanece praticamente estável desde o início da guerra no Oriente Médio.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou ao jornal O Globo que não era esperado um fim de outubro com o barril cotado a US$ 116. Analistas do Goldman Sachs avaliam que o diesel da estatal, considerando os subsídios, está 21% abaixo da paridade internacional e pode sofrer forte reajuste após o segundo turno.
Segundo economistas da XP, o governo gasta cerca de R$ 9 bilhões por mês com subvenções ao diesel e à gasolina. O relatório aponta, porém, que a alta do petróleo também eleva as receitas públicas e pode gerar espaço fiscal para ampliar os subsídios, caso o Brent permaneça acima de US$ 105.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo poderá manter a ajuda se o petróleo continuar caro e as receitas extraordinárias aumentarem. De acordo com ele, a medida teria o objetivo de reduzir o impacto da alta internacional sobre os preços nas bombas, sem tabelar ou congelar os combustíveis.
A valorização do petróleo também favorece as contas externas brasileiras e as ações da Petrobras. De janeiro a setembro, o superávit comercial do país com petróleo e derivados chegou a US$ 31,22 bilhões, alta de 40% em relação ao mesmo período de 2025.
Fonte: O Globo