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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Petróleo acima de US$ 110 pressiona subsídios e preços da Petrobras

Alta do petróleo pressiona o governo a decidir entre manter subsídios aos combustíveis ou permitir reajustes no diesel e na gasolina.

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Petrobras
Crédito: Foto: Divulgação

A alta do petróleo, que levou o barril do tipo Brent a US$ 117 na sexta-feira (23), colocou sob pressão a política de subsídios aos combustíveis e o preço do diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras.

O petróleo acumula valorização de cerca de 80% no ano, em meio à intensificação da guerra no Oriente Médio. O próximo governo terá de decidir se mantém a ajuda para conter o impacto nas bombas ou se permite reajustes em um cenário de pressão fiscal.

A subvenção ao diesel, prorrogada em setembro, deve ser estendida por pelo menos mais 30 dias. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou ao GLOBO que ninguém esperava chegar ao fim de outubro com o barril cotado a US$ 116.

Desde o início do conflito, o preço do diesel da Petrobras permaneceu praticamente estável, enquanto a gasolina subiu menos que as cotações internacionais. O resultado foi influenciado por subsídios e desonerações tributárias adotados pelo governo.

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) calcula que a defasagem do diesel da Petrobras em relação aos preços internacionais esteja próxima de 100%. Analistas do Goldman Sachs estimam que o preço realizado pela estatal, considerando os subsídios, está 21% abaixo da paridade internacional.

Para Marcos Praça, diretor de Análise da Zero Markets, o governo terá de escolher entre ampliar os subsídios, absorvendo parte do impacto externo, ou enfrentar uma alta dos combustíveis e o descontentamento da população.

Economistas da XP estimam que as subvenções ao diesel e à gasolina custem cerca de R$ 9 bilhões por mês. Segundo o relatório, porém, a arrecadação do governo com a alta do petróleo pode compensar parte da despesa e gerar espaço fiscal para manter a política.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a manutenção dos subsídios será possível se o Brent continuar elevado e as receitas extraordinárias relacionadas ao petróleo seguirem crescendo. Ele afirmou que a medida não teria como objetivo tabelar ou congelar preços, mas reduzir o impacto sobre a inflação.

Atualmente, um entendimento permite flexibilizar temporariamente a Lei de Responsabilidade Fiscal para compensar a renúncia de receitas com a arrecadação adicional do petróleo. A regra vale apenas para 2026.

A alta da commodity também favorece as contas externas brasileiras e as ações da Petrobras. O superávit comercial do setor de petróleo e derivados chegou a US$ 31,22 bilhões entre janeiro e setembro, alta de 40% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a reportagem.

Em meio às dificuldades de transporte pelo Estreito de Ormuz, o Brasil ultrapassou a Arábia Saudita como segundo maior fornecedor de petróleo bruto para a China nos nove primeiros meses de 2026, de acordo com dados alfandegários chineses.

Donald Trump afirmou à Fox News, no domingo (25), que está chegando a hora de decidir entre um acordo com Teerã ou o fim do conflito. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, respondeu que um ataque não seria tentado se houvesse racionalidade.

Analistas avaliam que o aumento das tensões na região pode elevar o risco de interrupção no abastecimento e pressionar ainda mais os mercados de petróleo e derivados.

Fonte: O Globo

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