A Eletra anunciou investimento de R$ 270 milhões para ampliar a produção de ônibus elétricos na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Do total, 60% serão destinados à expansão industrial e 40% ao desenvolvimento de produtos e de uma nova geração de chassis.
Segundo a empresa, a capacidade anual deve passar de 1.800 para até 4.000 veículos. A ampliação também prevê elevar o quadro direto da fábrica de 260 para 500 funcionários.
São Paulo chegou a 2 mil ônibus elétricos em circulação no fim de setembro, a maior frota do país. Pelo menos 864 desses veículos utilizam tecnologia da Eletra, que afirma ser a única empresa brasileira a desenvolver um sistema nacional de eletrificação do transporte público.
De acordo com dados do e-bus Radar, a Eletra está entre os cinco principais fabricantes de ônibus elétricos da América Latina e do Caribe. A empresa é a única latino-americana entre as 13 companhias do ranking, liderado pela chinesa BYD.
O CEO da Eletra afirmou que a disputa de preços com fabricantes chineses é equilibrada. Segundo ele, a empresa adapta o tamanho dos veículos, a capacidade das baterias e a potência dos motores às condições das cidades, além de oferecer suporte técnico e treinamento às operadoras.
A Eletra produz o próprio chassi nacional, desenvolve o software de controle da eletrificação e integra os sistemas elétricos e mecânicos. A empresa também eletrifica estruturas de chassis fornecidas por parceiras como Mercedes-Benz e Scania, enquanto as carrocerias são produzidas por encarroçadoras.
O pacote de baterias é desenvolvido e montado pela WEG no Brasil, com células de lítio importadas da China. A WEG também fornece os motores, produzidos conforme a potência e a tração exigidas em cada projeto.
A empresa estima em cerca de R$ 3 milhões o preço de referência de um ônibus elétrico de 12,8 metros para 75 passageiros. Segundo a Eletra, o veículo custa inicialmente três vezes mais que um modelo a diesel, mas o gasto com energia equivale a 20% do custo do combustível e a manutenção é 75% menor.
A Eletra também oferece planejamento para a transição de frotas, com análise de linhas, quilometragem, horários e disponibilidade de energia nas garagens. O cronograma de fabricação dos ônibus depende da definição da infraestrutura de recarga e do fornecimento de energia.
Fundada há 25 anos, a empresa começou com a fabricação, manutenção e reforma de trólebus. Em 2021, voltou a direcionar sua engenharia para ônibus elétricos a bateria após a retomada da legislação municipal de São Paulo que proibiu a renovação de frotas por veículos a diesel.
Fonte: O Globo