O mercado financeiro brasileiro reduziu o ritmo de alta após a reação inicial ao primeiro turno das eleições e acumulou oscilações modestas até sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno. O Ibovespa avançou 7,7% na segunda-feira após a primeira etapa, mas recuou 0,88% desde então, enquanto o dólar ficou praticamente estável, a R$ 4,99.
Segundo Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, a proximidade do segundo turno em um cenário indefinido levou investidores a adiar decisões sobre a alocação de recursos até o resultado da votação.
Analistas avaliam que a falta de detalhes sobre as propostas dos candidatos aumenta as incertezas sobre a trajetória dos gastos públicos, embora mantenham uma perspectiva positiva para as ações brasileiras.
Bruno Serra Fernandes, ex-diretor do Banco Central e gestor do fundo Itaú Janeiro, afirmou que o resultado do primeiro turno elevou a possibilidade de mudança na política econômica, mas que ainda faltam detalhes sobre as reformas.
Em relatório divulgado na sexta-feira (23), Daniel Lavarda, chefe de pesquisa para o Brasil do HSBC, disse que as medidas anunciadas na campanha podem aumentar a desconfiança sobre a flexibilização da taxa básica de juros, caso promessas de gastos sejam implementadas.
No exterior, o petróleo Brent subiu 3,2% na sexta-feira, para US$ 117, maior cotação desde 29 de abril. As Bolsas de Nova York fecharam em baixa: o Dow Jones caiu 1,24%, o S&P 500 recuou 0,5% e a Nasdaq perdeu 0,21%.
O Ibovespa encerrou a sexta-feira em alta de 0,47%, aos 205.082 pontos, impulsionado pela valorização de 1,47% das ações da Petrobras. Na semana seguinte, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decidiria sobre os juros do país em sua primeira reunião após o aumento da taxa em setembro.
Fonte: O Globo