A alta do dólar após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições ampliou as perspectivas de exportação do agronegócio brasileiro e pressionou os preços de commodities agrícolas nesta segunda-feira (26), segundo o conteúdo original.
O dólar comercial abriu em alta de 8,65%, a R$ 5,42. Após interrupções nas negociações, a moeda chegou a R$ 5,60, avanço de 12,2%, e os negócios foram novamente suspensos.
O real mais fraco aumenta a competitividade dos produtos brasileiros no exterior e eleva, em moeda local, a remuneração dos produtores. O Brasil é apontado como o maior exportador mundial de açúcar, café e soja.
Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro de soja mais negociado recuou até 1,7%, ao menor nível desde o fim de agosto. A queda foi associada à expectativa de que a relação pragmática de Lula com a China fortaleça a participação brasileira no mercado chinês.
Segundo o conteúdo original, o Brasil respondeu por quase 80% das importações chinesas de soja nos primeiros nove meses do ano. A China também ampliou investimentos em infraestrutura portuária brasileira, incluindo terminais no porto de Santos construídos pela Cofco.
Os contratos futuros de óleo de soja caíram até 1,2% em Chicago, enquanto os de óleo de palma recuaram até 1,1% em Kuala Lumpur. Estoques elevados na Malásia também pressionaram o mercado, apesar da melhora da demanda por exportações, de acordo com Tasvinderjit Singh, da CGS International Futures Malaysia.
Açúcar e café também registraram queda. O contrato de açúcar mais negociado recuou até 3,6%, enquanto o café arábica caiu até 3,3%; o robusta atingiu o menor nível em dois anos.
Para Arnaud Lorioz, presidente-executivo da corretora Deepcore, o movimento representa uma reação técnica à esperada desvalorização do real. Carlos Mera, chefe de pesquisa de commodities agrícolas do Rabobank, afirmou que a relação entre Lula e Donald Trump poderá afetar os mercados agrícolas no longo prazo.
Fonte: O Globo