A Casas Bahia contratou Camille Faria, sócia da Althia Partners, para comandar a negociação com credores e conduzir o plano de recuperação judicial da varejista, dois dias após a Justiça de São Paulo aprovar o processamento do pedido.
O processo envolve um passivo de R$ 17,3 bilhões e mais de 28 mil credores. Camille substitui Mateus Tessler à frente das tratativas.
Faria participou da reestruturação da Oi e liderou a recuperação judicial da Americanas. Na varejista, ocupou as diretorias Financeira e de Relação com Investidores após vir à tona um escândalo de fraude nos balanços financeiros.
Segundo a Casas Bahia, a chegada da executiva não altera a estratégia de reestruturação financeira e tem o apoio do Conselho de Administração e da Mapa Capital, acionista controladora da companhia.
“O Grupo Casas Bahia reafirma seu compromisso com o diálogo com os credores e a construção de uma solução equilibrada e sustentável para o negócio”, afirmou a empresa em nota.
A relação de credores inclui bancos, fundos de investimento e fornecedores de eletrodomésticos e eletrônicos. A Zurich Minas Brasil Seguros aparece no topo, com R$ 1,97 bilhão a receber, seguida pelo fundo IBCB-AF01, com R$ 1 bilhão.
Também estão na lista a Samsung, com R$ 937,6 milhões, a Electrolux, com R$ 700 milhões, a Whirlpool, com R$ 635,9 milhões, a LG, com R$ 623,7 milhões, e a Motorola, com R$ 619 milhões.
Entre as instituições financeiras, o Bradesco tem R$ 655,6 milhões a receber, considerando valores devidos ao banco e ao Digio. O Banco do Brasil aparece com R$ 598,1 milhões, e o Itaú, com R$ 208,3 milhões.
A Justiça de São Paulo deu 30 dias para o grupo resolver pendências na documentação apresentada no processo. A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo, também determinou a individualização dos fluxos de caixa das empresas e apontou que a lista de credores ainda está em atualização.
A magistrada manteve a proteção de 180 dias contra a execução de dívidas, concedida à Casas Bahia em agosto. O período, conhecido como stay period, foi mantido depois que a companhia afirmou ter enfrentado uma “corrida de credores contra o patrimônio” desde a abertura do processo, em 16 de agosto.
Fonte: O Globo