Tratores do Exército israelense demoliram na sexta-feira (23) a casa do empresário palestino Riyad Mureish, de 49 anos, em Hebron, na Cisjordânia ocupada. Segundo Mureish, soldados deram à família poucos minutos para retirar documentos e objetos de valor antes de ordenar a saída do imóvel.
“Eles demoliram tudo e me retiraram à força”, disse o empresário à NBC News. Ele afirmou ter investido todas as suas economias na residência, que era alvo de uma disputa prolongada com autoridades israelenses responsáveis por parte do controle das licenças de construção na região.
Mureish também declarou que havia uma decisão judicial contra a demolição, mas que os soldados mantiveram a operação. Agora, ele está abrigado com a mulher e os filhos em um pequeno cômodo na casa de um vizinho.
A demolição ocorreu no mesmo dia em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visitou outra área de Hebron e prometeu ampliar as operações militares na Cisjordânia. A declaração veio após um ataque a tiros que matou dois soldados israelenses e dois homens armados.
Netanyahu afirmou que as forças militares entrariam nos bairros de onde teriam partido os autores do ataque, evacuariam moradores e fariam buscas casa por casa. “Vamos destruir a infraestrutura terrorista e construir a infraestrutura para os assentamentos”, declarou.
Segundo Yousef al-Jabari, prefeito palestino de Hebron, as forças israelenses bloquearam as entradas da cidade, dificultando a circulação dos moradores. Ele também afirmou que uma mesquita foi fechada e que habitantes de algumas áreas foram retirados de suas casas.
A organização israelense de direitos humanos B'Tselem informou que cerca de 240 famílias palestinas deixaram suas casas nos bairros de Jildah e Ein Deir Bahah entre sexta-feira e sábado. De acordo com o grupo, soldados ocuparam imóveis, hastearam bandeiras de Israel em alguns edifícios e realizaram prisões e interrogatórios.
O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que os bloqueios restringem severamente a liberdade de movimento dos palestinos e o acesso a serviços básicos e meios de subsistência. Mayy El Sheikh, do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Território Palestino Ocupado, classificou as medidas como parte de um processo que torna a vida dos palestinos “cada vez mais insuportável”.
As ações ocorrem antes das eleições israelenses, marcadas para 27 de outubro, em meio ao aumento das tensões na Cisjordânia. A NBC News informou que as autoridades israelenses não responderam ao pedido de posicionamento da emissora.
Fonte: O Globo