Tratores do Exército israelense demoliram na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, a casa do empresário palestino Riyad Mureish, de 49 anos, em Hebron, na Cisjordânia ocupada, segundo a NBC News e a AFP.
Mureish afirmou que soldados deram à família apenas alguns minutos para retirar documentos e objetos de valor antes de ordenar a saída do imóvel. “Eles demoliram tudo e me retiraram à força”, disse à NBC.
O empresário declarou ter investido todas as economias na residência, que era alvo de uma disputa antiga com autoridades israelenses responsáveis por parte das licenças de construção na região. Segundo ele, uma decisão judicial deveria impedir a demolição, mas os soldados não atenderam aos apelos.
Mureish está abrigado com a mulher e os filhos em um pequeno cômodo na casa de um vizinho. “Sem casa, sem terra, sem dinheiro... o que posso fazer?”, afirmou.
A demolição ocorreu no mesmo dia em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, esteve em outra área de Hebron e prometeu intensificar as operações na Cisjordânia após um ataque a tiros que matou dois soldados israelenses e dois homens armados.
Netanyahu afirmou que as forças militares entrariam nos bairros de onde teriam partido os autores do ataque, evacuariam moradores e fariam buscas casa por casa. Ele também disse que Israel destruiria a infraestrutura terrorista e construiria a infraestrutura para os assentamentos.
Segundo Yousef al-Jabari, prefeito palestino de Hebron, as forças israelenses bloquearam as entradas da cidade, dificultando a circulação de moradores. Ele também afirmou que uma mesquita foi fechada e que habitantes de algumas áreas foram retirados de suas casas.
A organização israelense de direitos humanos B’Tselem informou que cerca de 240 famílias palestinas foram forçadas a deixar suas casas nos bairros de Jildah e Ein Deir Bahah entre sexta-feira e sábado. De acordo com o grupo, soldados ocuparam imóveis, hastearam bandeiras de Israel em alguns edifícios e mantiveram prisões e interrogatórios.
O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que os bloqueios restringem severamente a liberdade de movimento dos palestinos e o acesso a serviços básicos e meios de subsistência. Mayy El Sheikh, do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Território Palestino Ocupado, classificou as medidas como parte de ações que tornam a vida dos palestinos cada vez mais difícil.
As ações ocorrem nas semanas que antecedem as eleições israelenses, marcadas para 27 de outubro. Netanyahu tem concentrado a campanha na segurança, enquanto al-Jabari afirmou que o bloqueio poderia configurar punição coletiva e ter motivação política.
A NBC informou que as autoridades israelenses não responderam ao pedido de manifestação da emissora.
Fonte: O Globo