A Justiça da Argentina arquivou na sexta-feira (23) o processo contra o presidente Javier Milei, sua irmã, Karina Milei, e outras oito pessoas por suposta fraude relacionada ao lançamento da criptomoeda $LIBRA, em fevereiro de 2025.
Na decisão, o juiz Martínez de Giorgi concordou com o pedido do promotor Eduardo Taiano e afirmou que os fatos denunciados não se enquadram em nenhuma categoria jurídica capaz de sustentar acusações de fraude, abuso de autoridade ou negociações incompatíveis com a função pública.
Segundo o magistrado, a divulgação da moeda por Milei teve impacto e visibilidade particulares, mas não caracterizou um esquema fraudulento. Ele também considerou que a postagem foi um ato individual ou privado, sem envolvimento de dinheiro público ou da imagem institucional da Presidência.
Milei divulgou a $LIBRA na rede social X em fevereiro do ano passado. A criptomoeda subiu de US$ 0,25 para US$ 5,20 em poucos minutos, alcançou capitalização de mercado de US$ 4,5 bilhões e depois despencou, após carteiras começarem a vender os ativos.
As investigações estimaram que cerca de 40 mil pessoas foram prejudicadas, com perdas superiores a US$ 100 milhões. Os denunciantes suspeitavam que alguns participantes tivessem recebido informações privilegiadas antes da queda, mas o juiz afirmou que a disparidade entre ganhos e perdas não era suficiente para caracterizar um golpe.
Após o arquivamento, Milei disse no X que a decisão expôs uma operação política e midiática contra seu mandato e criticou a imprensa. Representantes dos investidores prejudicados classificaram a decisão como prematura e defenderam a continuidade da apuração sobre o papel do presidente na divulgação da criptomoeda.
Fonte: O Globo