Forças israelenses retiraram entre 150 e 250 famílias de suas casas no bairro de Deir Baha, em Hebron, na Cisjordânia ocupada, neste sábado (24), um dia após dois palestinos matarem dois soldados em um ataque a tiros.
Militares usaram alto-falantes para ordenar a saída dos moradores, bloquearam acessos à cidade e realizaram buscas e detenções. O Exército informou que a operação deverá durar vários dias.
As estimativas sobre o número de famílias afetadas foram divulgadas por autoridades locais. O governador de Hebron, Khaled Dudin, mencionou 150 famílias, enquanto o prefeito Youssef al-Jaabari, o ativista Issa Amro e o vice-prefeito Khaled Fahd Qawasmi apontaram números superiores a 200.
Moradores disseram que tiveram pouco tempo para reunir seus pertences e não receberam previsão de retorno. O comerciante Higazi Shawer al-Tamimi afirmou que sua sogra, de 90 anos, precisou ser carregada para deixar a residência.
Autoridades locais classificaram a retirada como punição coletiva. O prefeito também acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de usar a operação para obter apoio político antes das eleições nacionais.
O ataque ocorreu na sexta-feira, perto de um posto de controle nos arredores de Hebron. Os dois autores foram mortos em um confronto posterior com as forças israelenses, que disseram ter encontrado grande quantidade de munição no veículo usado por eles.
Os responsáveis ainda não foram identificados, e não está claro se agiram por conta própria ou em nome de uma organização armada. O Hamas elogiou o ataque e convocou novas ações, mas não reivindicou a autoria.
O Exército israelense informou ter realizado operações em 40 áreas da Cisjordânia entre sexta-feira e sábado e detido cerca de 40 suspeitos. Segundo os militares, entre os presos havia integrantes do Hamas e da Jihad Islâmica, além de pessoas suspeitas de incitação, perturbação da ordem pública e arremesso de pedras.
A Autoridade Nacional Palestina afirmou que mobilizará representantes diplomáticos para buscar uma resposta internacional. Em comunicado, pediu medidas para impedir o deslocamento forçado e proteger os civis.
A operação ocorre poucos dias antes de uma eleição nacional considerada decisiva para Netanyahu. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, afirmou ter ordenado a demolição imediata de construções que classificou como ilegais, enquanto Netanyahu sinalizou a possibilidade de uma ofensiva mais ampla.
Fonte: O Globo