Forças israelenses ordenaram a saída de centenas de famílias palestinas de suas casas em Hebron, na Cisjordânia ocupada, durante uma operação iniciada na madrugada de sábado, um dia após dois soldados israelenses serem mortos em um ataque a tiros na região.
A operação começou no bairro de Deir Baha, onde vivem pelo menos 2 mil palestinos, segundo o prefeito Youssef al-Jaabari. Militares usaram alto-falantes para determinar a retirada dos moradores, revistaram edifícios e fizeram detenções.
O Exército também bloqueou as principais entradas e saídas de Hebron e informou que a operação deve durar vários dias. Autoridades locais estimaram que entre 150 e 250 famílias foram afetadas, enquanto classificaram a medida como punição coletiva.
Moradores disseram que tiveram pouco tempo para reunir seus pertences e não receberam prazo para retornar. Higazi Shawer al-Tamimi, líder comunitário de 70 anos, afirmou à AFP que soldados determinaram sua saída por volta da 1h e disseram que a retirada valeria “até segunda ordem”.
Segundo Tamimi, sua sogra, de 90 anos, precisou ser carregada para fora de casa por familiares. O comerciante acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de usar a operação para obter apoio político antes das eleições nacionais, que ocorrerão nos próximos dias.
O ataque ocorreu na sexta-feira, quando dois palestinos abriram fogo contra militares israelenses perto de um posto de controle nos arredores de Hebron. Os dois atiradores foram mortos posteriormente pelas forças israelenses, que afirmaram ter encontrado munições no veículo usado na ação.
O Exército informou ter realizado operações em 40 áreas da Cisjordânia entre sexta-feira e sábado, com cerca de 40 detenções. As autoridades não detalharam quantas prisões ocorreram em Hebron. O Hamas elogiou o ataque e convocou novas ações, mas não reivindicou a autoria.
A Autoridade Nacional Palestina pediu uma resposta internacional urgente para impedir o deslocamento forçado e proteger a população civil. O governador de Hebron, Khaled Dudin, alertou que a operação pode se ampliar para além do bairro onde viviam os autores do ataque.
Netanyahu afirmou que Israel prepara uma “surpresa muito grande” para a Autoridade Nacional Palestina e citou operações militares em Gaza, no Líbano, na Síria e no Irã. A ofensiva ocorre às vésperas de uma eleição considerada decisiva para o futuro político do primeiro-ministro.
Fonte: O Globo