Forças israelenses iniciaram neste sábado (24) uma operação militar em Hebron, na Cisjordânia ocupada, e ordenaram que moradores deixassem suas casas um dia após dois palestinos matarem dois soldados em um ataque a tiros. Entre 150 e 250 famílias foram afetadas, segundo estimativas de autoridades locais.
A operação começou durante a madrugada no bairro de Deir Baha, onde vivem pelo menos 2 mil palestinos. Militares usaram alto-falantes para anunciar a retirada, vasculharam edifícios e detiveram pessoas, enquanto o Exército bloqueou as principais entradas e saídas de Hebron.
O governador de Hebron, Khaled Dudin, informou que 150 famílias foram afetadas. O prefeito Youssef al-Jaabari e o ativista Issa Amro estimaram o total em cerca de 250, enquanto o vice-prefeito Khaled Fahd Qawasmi disse que mais de 200 famílias foram obrigadas a deixar suas casas.
Autoridades palestinas classificaram a medida como punição coletiva. O prefeito também acusou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de usar a operação para obter apoio político antes das eleições nacionais.
Moradores relataram que receberam pouco tempo para reunir seus pertences e não foram informados sobre quando poderiam retornar. O comerciante Higazi Shawer al-Tamimi, de 70 anos, disse à AFP que soldados determinaram sua saída e responderam “até segunda ordem” quando ele perguntou sobre a duração da retirada.
Segundo Tamimi, a sogra dele, de 90 anos, precisou ser carregada para fora de casa por familiares. O irmão do comerciante, Khaled Shawer al-Tamimi, afirmou que nunca ouviu disparos no bairro e questionou a expulsão de moradores que não participaram do ataque.
O ataque ocorreu na sexta-feira (23), quando dois palestinos abriram fogo contra militares israelenses perto de um posto de controle nos arredores de Hebron. Os dois foram mortos em um confronto posterior, e o Exército afirmou ter encontrado grande quantidade de munição no veículo usado por eles.
As autoridades israelenses ainda não identificaram os responsáveis nem esclareceram se eles agiram sozinhos ou em nome de uma organização. O Hamas elogiou o ataque e convocou novas ações, mas não reivindicou a autoria.
O Exército informou que realizou operações em 40 áreas da Cisjordânia entre sexta-feira e sábado e deteve cerca de 40 suspeitos. As Forças Armadas disseram que a operação em Hebron deverá durar vários dias, mas não informaram quantas detenções ocorreram na cidade.
A Autoridade Nacional Palestina afirmou que mobilizou representantes diplomáticos para buscar uma resposta internacional. Em nota, pediu medidas urgentes para impedir o deslocamento forçado de moradores e proteger a população civil.
A ofensiva ocorre poucos dias antes das eleições nacionais em Israel. Netanyahu aparece tecnicamente empatado nas pesquisas com um bloco liderado por Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e principal adversário do primeiro-ministro.
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, que também responde por assuntos civis da Cisjordânia no Ministério da Defesa, disse ter ordenado a demolição imediata de construções consideradas ilegais após o ataque. Netanyahu também sugeriu que uma operação de alcance maior contra a Autoridade Nacional Palestina poderia ocorrer.
Fonte: O Globo