Forças israelenses retiraram centenas de famílias de suas casas no bairro de Deir Baha, em Hebron, na Cisjordânia ocupada, neste sábado (24), um dia após dois palestinos matarem dois soldados em um ataque a tiros.
Militares usaram alto-falantes para ordenar a saída dos moradores, bloquearam acessos à cidade e vasculharam edifícios. O Exército informou que a operação deverá durar vários dias.
Autoridades locais divergiram sobre o número de famílias afetadas. O governador de Hebron, Khaled Dudin, citou 150 famílias, enquanto o prefeito Youssef al-Jaabari, o ativista Issa Amro e o vice-prefeito Khaled Fahd Qawasmi estimaram que mais de 200, chegando a aproximadamente 250, foram obrigadas a deixar suas casas.
Moradores disseram que receberam pouco tempo para reunir seus pertences e não foram informados sobre quando poderiam retornar. Segundo o comerciante Higazi Shawer al-Tamimi, de 70 anos, os militares responderam que a retirada valeria “até segunda ordem”.
O prefeito classificou a medida como punição coletiva e afirmou que ela também teria relação com as eleições nacionais israelenses, previstas para os próximos dias. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu retaliar após o ataque e mencionou uma operação de escala sem precedentes desde a ocupação da Cisjordânia, em 1967.
O ataque ocorreu na sexta-feira (23), nas proximidades de um posto de controle nos arredores de Hebron. Os dois atiradores foram mortos em um confronto posterior, e o Exército afirmou ter encontrado grande quantidade de munição no veículo usado por eles.
Os responsáveis não foram identificados, e não está claro se agiram sozinhos ou em nome de uma organização armada. O Hamas elogiou a ação e convocou novos ataques, mas não reivindicou sua autoria.
O Exército israelense informou ter realizado operações em 40 áreas da Cisjordânia entre sexta-feira e sábado, com cerca de 40 detenções. Segundo os militares, entre os presos estavam integrantes do Hamas e da Jihad Islâmica, além de suspeitos de incitação, desordem e lançamento de pedras.
A Autoridade Nacional Palestina pediu uma resposta internacional para impedir o deslocamento forçado e proteger os civis. O governador de Hebron alertou que a operação pode ser ampliada, enquanto o Exército disse que palestinos poderiam deixar a cidade por postos de controle, sem esclarecer se teriam autorização para retornar.
Fonte: O Globo