Tratores do Exército israelense demoliram na sexta-feira (23) a casa do empresário palestino Riyad Mureish, de 49 anos, em Hebron, na Cisjordânia ocupada, segundo a NBC News e a AFP.
Mureish afirmou que soldados deram à família poucos minutos para retirar documentos e objetos de valor antes de ordenar a saída do imóvel. Segundo ele, a residência era alvo de uma disputa de longa duração com autoridades israelenses responsáveis por parte das licenças de construção na região.
O empresário disse ainda que havia uma decisão judicial para impedir a demolição, mas que os militares não recuaram. Agora, ele está abrigado com a mulher e os filhos em um pequeno cômodo na casa de um vizinho.
A demolição ocorreu no mesmo dia em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visitou outra área de Hebron e anunciou a intensificação das operações na Cisjordânia. A declaração veio após um ataque a tiros que matou dois soldados israelenses e dois homens armados.
Netanyahu afirmou que as forças militares entrariam nos bairros de onde teriam partido os autores do ataque, retirariam moradores e fariam buscas nas casas. A declaração foi dada poucos dias antes das eleições israelenses, marcadas para 27 de outubro.
Yousef al-Jabari, prefeito palestino de Hebron, disse que as forças israelenses bloquearam as entradas da cidade, fecharam uma mesquita e retiraram moradores de algumas áreas. A organização israelense B'Tselem informou que cerca de 240 famílias palestinas deixaram suas casas nos bairros de Jildah e Ein Deir Bahah entre sexta-feira e sábado.
Segundo a organização, soldados ocuparam imóveis, hastearam bandeiras de Israel em alguns edifícios e continuaram com prisões e interrogatórios. Al-Jabari classificou o bloqueio como uma forma de punição coletiva e afirmou que a atuação de Netanyahu poderia ter motivação eleitoral.
O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que os bloqueios restringem a circulação dos palestinos e o acesso a serviços básicos e meios de subsistência. Mayy El Sheikh, do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Território Palestino Ocupado, disse que as medidas tornam a vida dos palestinos cada vez mais difícil.
Fonte: O Globo