Forças israelenses retiraram centenas de famílias de suas casas no bairro de Deir Baha, em Hebron, na Cisjordânia ocupada, durante uma operação iniciada na madrugada de sábado, um dia após dois soldados serem mortos em um ataque a tiros.
Militares usaram alto-falantes para ordenar a saída dos moradores, vasculharam edifícios e realizaram detenções. As principais entradas e saídas de Hebron foram bloqueadas, e o Exército informou que a operação deverá durar vários dias.
Autoridades locais apresentaram estimativas diferentes sobre o número de famílias afetadas. O governador de Hebron, Khaled Dudin, falou em 150 famílias, enquanto o prefeito Youssef al-Jaabari e o ativista Issa Amro estimaram cerca de 250; o vice-prefeito Khaled Fahd Qawasmi mencionou mais de 200.
Moradores disseram que tiveram pouco tempo para reunir seus pertences e não receberam prazo para retornar. Segundo o comerciante Higazi Shawer al-Tamimi, de 70 anos, soldados ordenaram sua saída por volta da 1h e responderam “até segunda ordem” quando ele perguntou sobre a duração da retirada.
O prefeito classificou a medida como punição coletiva e afirmou que ela também teria motivação eleitoral, em razão da proximidade das eleições israelenses. A Autoridade Nacional Palestina pediu uma ação internacional para impedir o deslocamento forçado e proteger os civis.
O ataque que desencadeou a operação ocorreu na sexta-feira, quando dois palestinos abriram fogo contra militares israelenses perto de um posto de controle nos arredores de Hebron. Os dois atiradores foram mortos em um confronto posterior, e o Exército afirmou ter encontrado grande quantidade de munições no veículo usado por eles.
Os responsáveis ainda não foram identificados, e não está claro se agiram por conta própria ou em nome de uma organização armada. O Hamas elogiou o ataque e convocou novas ações, mas não reivindicou a autoria.
O Exército israelense informou ter realizado operações em 40 áreas da Cisjordânia entre sexta-feira e sábado, com cerca de 40 detenções. Segundo os militares, entre os presos estavam integrantes do Hamas e da Jihad Islâmica, além de suspeitos de incitação, perturbação da ordem pública e arremesso de pedras.
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, que também ocupa uma função no Ministério da Defesa relacionada a assuntos civis na Cisjordânia, afirmou ter ordenado a demolição imediata de construções que classificou como ilegais. A operação ocorre poucos dias antes de uma eleição nacional disputada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Fonte: O Globo