Uma empresa chinesa de engenharia planeja reativar em novembro uma unidade de 600 megawatts da Planta Centro, maior complexo termelétrico da Venezuela, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A retomada parcial busca aliviar os apagões que atingem o país.
A China Machinery Engineering trabalha na unidade número 6 sob um contrato firmado durante o governo de Hugo Chávez. O gerador deverá operar com óleo combustível fornecido pela estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).
Localizada a cerca de 135 quilômetros a oeste de Caracas, a usina foi construída há aproximadamente 50 anos e está praticamente inativa desde 2021. O complexo tem seis unidades e poderia gerar mais de 2.500 megawatts se estivesse em plena operação.
A unidade em recuperação representa cerca de 25% da capacidade anterior do complexo. A Planta Centro pertence integralmente à estatal Corporación Eléctrica Nacional (Corpoelec).
A rede elétrica venezuelana enfrenta anos de subinvestimento, falta de manutenção, equipamentos obsoletos e escassez de combustível. Segundo o Observatório Venezuelano de Conflitos Sociais, foram registrados 531 protestos por falta de energia no mês passado, mais de 20 vezes o número contabilizado no mesmo período do ano anterior.
Em teoria, a Venezuela tem capacidade para gerar cerca de 37 mil megawatts, aproximadamente metade em usinas hidrelétricas. Muitas unidades, porém, estão deterioradas, e peças de algumas delas foram utilizadas para reparar outras.
A recuperação do fornecimento é considerada essencial para o setor petrolífero, que depende da rede elétrica para a extração de petróleo bruto. Empresas como Repsol, Chevron e North American Blue Energy Partners também realizam reparos em estruturas de energia, de acordo com fontes ouvidas pela reportagem.
A americana GE Vernova assinou em junho um acordo preliminar para ajudar na recuperação da rede, mas as negociações e os atrasos na entrega de equipamentos dificultaram o avanço dos trabalhos. A argentina Impsa também atua na recuperação da hidrelétrica de Tocoma, no rio Caroní.
Fonte: O Globo