Rússia e Ucrânia confirmaram um cessar-fogo humanitário em Oleshky, na região de Kherson, no leste ucraniano. Segundo a Casa Branca, a pausa permitirá a entrada de ajuda e a evacuação de civis por um corredor seguro a partir de 29 de outubro.
O acordo teria sido mediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, que, segundo o governo americano, negociou diretamente com representantes dos dois países os termos, o cronograma e os procedimentos da operação.
A cidade, localizada na margem oriental do rio Dniéper, está sob controle russo desde os primeiros dias da invasão, em fevereiro de 2022. A Casa Branca informou que cerca de 2 mil moradores permanecem no local, que tinha aproximadamente 24 mil habitantes antes da guerra.
O governo americano não informou a duração da trégua. O chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, afirmou que o cessar-fogo começará em 27 de outubro, dois dias antes da data divulgada por Washington, em razão da operação humanitária na área.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o período da pausa ainda está em negociação e elogiou a atuação de Melania Trump. O comissário para Direitos Humanos do Parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets, afirmou que o acordo permitirá a entrega de ajuda e a saída de civis que desejarem deixar Oleshky.
De acordo com a Casa Branca, jornalistas de uma organização americana considerada imparcial acompanharão e documentarão a atuação das equipes russas e ucranianas durante a operação. O governo não informou qual será a organização responsável pela cobertura.
O anúncio ocorreu após reuniões do enviado especial americano Steve Witkoff com o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Segundo o texto, os dois lados deram sinais de que podem retomar negociações técnicas no próximo mês, embora continuem divergindo sobre os termos do pós-guerra.
Na semana anterior, o papa Leão XIV havia telefonado para Putin para manifestar preocupação com a situação humanitária em Oleshky e pedir um cessar-fogo, segundo o Vaticano. O Kremlin também afirmou que o tema foi discutido por Putin e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Fonte: O Globo