O Ministério Público de São Paulo recorreu nesta quinta-feira (22) contra a decisão que revogou a prisão preventiva do empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos, acusado de agredir e ameaçar a esposa, a cirurgiã-dentista Giulia Falcão, em Pinheiros, na Zona Oeste da capital.
Preso em 15 de agosto, Kos deixou a Penitenciária de Potim II na quarta-feira (21), após a Justiça substituir a prisão por medidas cautelares. Entre as determinações estão o monitoramento eletrônico, restrições de deslocamento e a ampliação das medidas protetivas destinadas à vítima.
Ao autorizar a soltura, a magistrada considerou a formalização do acordo de divórcio, a manifestação da mulher de que não se sentia mais ameaçada, as condições pessoais do acusado, a necessidade de tratamento médico e os mais de dois meses de prisão. A decisão também levou em conta o aditamento da denúncia, que incluiu novos fatos e um corréu.
O empresário é réu por lesão corporal e ameaça. No recurso, os promotores Fabíola Sucasas, Mariana Pieragnoli e Pedro Alonso sustentam que ainda há risco de novas agressões e de interferência na instrução do processo.
Segundo o Ministério Público, o caso envolve, além de lesões, alegações de ameaças de morte, uso de arma de choque, agressões com um taco de beisebol e privação da liberdade da mulher. A acusação afirma que a manifestação da vítima favorável à soltura não basta para afastar o risco, diante do histórico de violência e reconciliações descrito no processo.
Os promotores também contestam os argumentos relacionados à saúde do empresário e ao tempo de prisão. Para o MP, os 66 dias de prisão preventiva não representam excesso de prazo, considerando a complexidade do processo após a inclusão de novas acusações.
Além de pedir o restabelecimento imediato da prisão, o Ministério Público solicitou medidas adicionais, como a proibição de o empresário morar perto da vítima e de testemunhas, monitoramento com alerta de aproximação, apreensão de armas e objetos relacionados às agressões, proibição de contato com testemunhas e participação em programas de reeducação e acompanhamento psicossocial. A defesa de Kos não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
Fonte: g1