Thiago Navarro, cantor digital criado com inteligência artificial, alcançou 1,5 milhão de ouvintes mensais e viralizou com a música "Bonito, bonito", lançada em 3 de agosto de 2026. O personagem não existe fisicamente e foi desenvolvido pelo compositor cubano Anier Cruz Revilla.
Cruz escreveu a letra, testou sons e arranjos e usou ferramentas de inteligência artificial para gerar a voz, as melodias e a imagem do artista. O Spotify identifica Navarro como "Pessoa IA", enquanto o YouTube classifica os vídeos como criados com inteligência artificial.
O vídeo oficial de "Bonito, bonito" ultrapassou oito milhões de visualizações até 23 de setembro. A faixa também inspirou uma coreografia, foi compartilhada pelo cantor Carlos Baute e entrou nas listas de tendências do YouTube na Espanha e no Peru.
A repercussão reacendeu discussões sobre autoria, transparência e os limites da inteligência artificial na música. O produtor e professor de música Manuel Garrido-Lecca afirmou que a tecnologia depende de decisões humanas, mas avaliou que o público pode questionar a obra ao descobrir que a voz e a identidade artística foram geradas por uma máquina.
Thiago Navarro faz parte de uma onda recente de artistas virtuais, que inclui nomes como Hatsune Miku, Lil Miquela, The Velvet Sundown, Xania Monet e Nyla Stone. Plataformas de streaming passaram a identificar parte desse conteúdo, enquanto entidades do setor discutem critérios para reconhecer a participação humana nas obras.
O Grammy Latino admite músicas que utilizam inteligência artificial apenas quando há contribuição humana significativa e verificável. Apesar das críticas, Cruz pretende continuar o projeto e não descarta criar um holograma de Thiago Navarro para apresentações.
Fonte: O Globo