A concessionária Aena suspendeu temporariamente, nesta quinta-feira (22), o corte de árvores em uma área verde entre as ruas Tamoios e General Pantaleão Teles, no Jardim Aeroporto, na Zona Sul de São Paulo. A empresa administra o Aeroporto de Congonhas e foi notificada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
O trecho é identificado como praça ou canteiro público no GeoSampa, plataforma oficial de mapas da Prefeitura de São Paulo. A planta que delimita o sítio aeroportuário também indica que a área onde começou a retirada da vegetação fica fora da poligonal do aeroporto, em divergência com a justificativa apresentada pela concessionária.
A Aena afirmou que interrompeu o serviço para esclarecer dúvidas dos órgãos públicos e dos moradores. Segundo a empresa, a remoção seria necessária para garantir a segurança das operações aéreas e teria sido autorizada pela Cetesb.
O início do corte ocorreu na terça-feira (20), sem aviso prévio aos moradores, que registraram a intervenção e questionaram os trabalhadores. No dia seguinte, eles se reuniram no local para pedir explicações e defender a preservação da área verde.
A autorização ambiental apresentada aos moradores foi emitida pela Cetesb em 4 de julho de 2025 e está vinculada às obras de ampliação e modernização do aeroporto. O documento menciona a supressão de 781 árvores isoladas e 24 indivíduos não identificados, enquanto a Cetesb informou posteriormente ter aprovado a retirada de 1.191 árvores localizadas, segundo o órgão, dentro da poligonal aeroportuária.
A Cetesb declarou que a autorização prevê compensação ambiental, com o plantio de 11 mil mudas em uma área de 4,8 hectares. A Aena também informou que cumprirá o Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental, mas disse que o local do plantio ainda não foi definido.
A Subprefeitura de Santo Amaro afirmou que não autorizou a remoção das árvores. Uma equipe de fiscalização esteve na Rua General Pantaleão Teles na quarta-feira, mas não encontrou responsáveis pela intervenção, e o órgão informou que fará nova fiscalização.
A Cetesb informou que notificará a concessionária para que se manifeste sobre o cumprimento das exigências da autorização. O órgão também afirmou que verificará as condições do licenciamento e cobrará o reforço da comunicação com a comunidade do entorno.
A legislação municipal prevê que a população seja informada com dez dias de antecedência sobre podas ou cortes de árvores em logradouros públicos, salvo em situações de urgência, além de estabelecer consulta aos moradores diretamente envolvidos.
Fonte: G1