Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada após o caso de Christa Pike mostra que 35% dos americanos defendem uma nova tentativa de execução quando o primeiro procedimento falha. Outros 39% preferem que o condenado cumpra prisão perpétua, enquanto 26% não souberam responder.
Pike, de 50 anos, sobreviveu a duas tentativas de aplicação de injeção letal em setembro, em Nashville, no Tennessee. Após receber duas doses de pentobarbital, ela foi levada inconsciente e em estado grave para um hospital, com ferimentos severos nos braços, e recuperou a consciência cinco dias depois.
O levantamento também indica que 55% dos americanos continuam apoiando a pena de morte para condenados por crimes considerados gravíssimos. O índice caiu em relação a 2017, quando 63% declararam apoiar a pena capital; atualmente, 31% são contrários e 13% não souberam ou não quiseram responder.
Entre republicanos, 52% defendem uma segunda tentativa de execução e 31% preferem a prisão perpétua. Entre democratas, 24% apoiam uma nova execução e 51% defendem que o condenado passe o restante da vida na prisão. Entre independentes, os índices são de 28% e 35%, respectivamente.
O caso de Pike reacendeu o debate sobre a possibilidade de repetir uma execução malsucedida. Ela foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, sua colega de 19 anos, cometido em 1995, quando Pike tinha 18.
A execução de Pike foi a segunda tentativa de injeção letal malsucedida no Tennessee neste ano. Estados americanos que mantêm a pena capital enfrentam dificuldades para obter as substâncias usadas nos procedimentos, e alguns passaram a considerar métodos alternativos, como o fuzilamento.
A pesquisa também apontou que 71% dos entrevistados consideram inadequada a transmissão de execuções pela televisão ou pela internet. O tema ganhou repercussão depois que o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, levantou a possibilidade de transmitir ao vivo a execução de Nidal Hasan, condenado pela morte de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas; a proposta foi posteriormente cancelada pelo presidente Donald Trump.
Realizada pela internet entre 16 e 19 de outubro, a pesquisa ouviu 1.679 adultos nos Estados Unidos e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Fonte: O Globo