Ondas de calor provocaram uma estimativa de 50.391 mortes em 854 áreas urbanas de 30 países europeus durante o verão de 2026, segundo dois estudos revisados por pares divulgados nesta sexta-feira (23). Os pesquisadores afirmam que o número foi cerca de três vezes maior do que seria em um cenário sem o aquecimento causado pela queima de combustíveis fósseis.
O levantamento aponta que o verão de 2026 foi o mais letal deste século entre as áreas analisadas. O calor teria causado cerca de 29.480 mortes no segundo verão mais mortal, em 2022, e 28.462 em 2003.
As estimativas foram calculadas com base em fatores como características demográficas, condições socioeconômicas e disponibilidade de serviços de saúde. Os pesquisadores não usaram apenas registros oficiais, que geralmente contabilizam mortes por insolação, mas podem não incluir doenças cardiovasculares e respiratórias agravadas pelas altas temperaturas.
Os estudos analisaram cidades e vilarejos dos 27 países da União Europeia, além de Reino Unido, Noruega e Suíça. As áreas reúnem cerca de 40% da população desses países e foram escolhidas porque havia dados suficientes para estimar a mortalidade associada ao calor desde 2000.
Segundo os cientistas, a principal causa do aumento em 2026 foi a intensidade e a duração das ondas de calor, que atingiram grandes áreas do continente. Clair Barnes, cientista climática do Imperial College London e principal autora dos estudos, afirmou que o aquecimento provocado pela atividade humana elevou substancialmente a mortalidade.
Para estimar a influência das mudanças climáticas, os pesquisadores compararam as temperaturas observadas com simulações de um mundo em que carvão, petróleo e gás não tivessem aquecido o planeta. O resultado também considerou o crescimento da população urbana, mas os autores disseram que a diferença não foi explicada apenas por mudanças demográficas.
Fonte: O Globo