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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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Cubanos perfuram poços para enfrentar falta de água em meio a apagões

Moradores e comerciantes cubanos perfuram poços e constroem cisternas para enfrentar a escassez de água agravada por apagões e falta de combustível.

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Moradores e comerciantes de Cuba estão perfurando poços, construindo cisternas e instalando caixas d’água para enfrentar a escassez que atinge a população em meio à crise econômica e aos apagões no país.

A falta de água afeta quase 29% dos 9,4 milhões de cubanos. A redução no fornecimento de combustível agrava o problema porque as bombas responsáveis pelo abastecimento dependem da eletricidade, comprometida por cortes prolongados.

Em Matanzas, a cerca de 100 quilômetros a leste de Havana, o comerciante Kevin Martínez precisou fechar o restaurante em algumas ocasiões por falta de água. Ele decidiu perfurar um poço depois de gastar com caminhões-pipa para manter o estabelecimento funcionando.

Martínez afirmou à AFP que também passou a cozinhar com carvão e instalou painéis solares. Segundo ele, o investimento no poço deve compensar a despesa com três caminhões-pipa por semana.

Yunior González, funcionário da empresa nacional de Água e Saneamento, disse que 2,7 milhões de pessoas não recebem água em casa em Havana. Ele atribuiu as dificuldades aos danos nos equipamentos de bombeamento, aos vazamentos, à seca e à crise energética.

De acordo com González, mais de 870 bombas movidas a energia solar já foram instaladas de um total previsto de 1.300. Os equipamentos beneficiam cerca de 500 mil pessoas e buscam reduzir a dependência da rede elétrica nacional.

Em Havana Velha, o cozinheiro Maykel Aguilar, de 30 anos, busca água em uma tubulação ligada a uma nascente natural. Ele transporta um reservatório de 200 litros e baldes em um carrinho de mão até sua casa, no segundo andar de um prédio.

Moradores também recorrem aos chamados “ladrões de água”, bombas que retiram água da rede pública e a levam para as residências. A instalação de vários equipamentos em um mesmo bairro pode diminuir a pressão da rede e dificultar o abastecimento de outras casas.

“Os apagões aqui são todos os dias e temos que ficar carregando água. É a luta cotidiana”, afirmou Yusimy Guerra, de 40 anos, que tem dois filhos.

Fonte: O Globo

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