A khada tapasya, prática ascética associada a tradições religiosas da Índia, ganhou repercussão após imagens do asceta Dulal Giri Ji Maharaj, cujas pernas aparecem inchadas e escurecidas. Ele teria assumido o compromisso de passar 12 anos sem se sentar ou deitar, em devoção ao deus Shiva.
Durante o descanso, Maharaj usa uma estrutura suspensa para apoiar o corpo sem se sentar ou deitar. Vídeos também mostram pessoas auxiliando nos cuidados com as pernas do asceta.
Permanecer em pé por períodos prolongados pode favorecer o acúmulo de líquido nas pernas, agravar sintomas de insuficiência venosa e provocar dores e sobrecarga nas articulações. Quando a pessoa fica praticamente imóvel, sem alternar a postura ou descansar sentada, os riscos circulatórios podem aumentar.
Uma revisão científica publicada em 2015 na revista Rehabilitation Nursing por pesquisadores ligados ao Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos (NIOSH) associou longos períodos em pé a dores lombares e nas pernas, fadiga muscular, inchaço e problemas cardiovasculares.
A literatura científica também relaciona a permanência prolongada e imóvel em pé à fadiga, dores musculares e articulares e doenças venosas. Ainda não há pesquisas específicas suficientes para determinar a extensão dos danos provocados por uma prática que exige permanecer nessa posição durante vários anos.
A tapasya está ligada à disciplina e à transformação espiritual. Em algumas tradições ascéticas, o desconforto físico é interpretado como forma de controlar desejos e concentrar a atenção na busca religiosa, mas a intensidade dessas práticas varia entre comunidades e linhagens e não representa todo o hinduísmo.
Shiva ocupa posição central em diferentes correntes do hinduísmo e é associado à transformação, à destruição e à renovação. A devoção à divindade pode incluir orações, peregrinações e disciplinas ascéticas.
Fonte: O Globo