Reportagem do Fantástico exibida nesta quinta-feira (22) mostra como o uso constante de celulares e redes sociais tem transformado a convivência entre adolescentes, pais e amigos no Brasil.
Especialistas ouvidos pela série “Essa Tal de Adolescência” relacionam o aumento da dependência das telas às mudanças sociais vividas durante a pandemia, quando jovens passaram por períodos de isolamento justamente durante a transição para a adolescência.
Em Recife, um projeto social que atende adolescentes há 25 anos mantém os celulares desligados durante as atividades. A proposta é estimular encontros presenciais, fortalecer vínculos e oferecer um espaço de convivência fora das telas.
O uso do aparelho também aparece como uma forma de proteção para algumas famílias. Uma mãe entrevistada afirmou que prefere manter o filho em casa por causa da violência na comunidade onde mora, mas relatou que o adolescente acorda, almoça e dorme com o celular, além de estimar um uso diário de seis a sete horas.
A tecnologia também pode ampliar o distanciamento dentro de casa. Estudantes de uma escola do Rio de Janeiro produziram um curta-metragem sobre a dificuldade de comunicação entre uma mãe e a filha adolescente, inspirado, segundo elas, em experiências vividas pelos próprios jovens.
As redes sociais acrescentam ainda a pressão por aceitação e aparência. Adolescentes entrevistadas relataram comparação com amigas, uso de filtros e insegurança para publicar fotos, enquanto especialistas alertaram que a exposição constante a padrões de beleza pode afetar a autoestima e estar associada a problemas de imagem corporal.
Para a educadora e psicanalista Carolina Delboni, a busca por aprovação, que antes ocorria principalmente na escola, ganhou alcance muito maior com a internet. A orientação apresentada na reportagem é que pais mantenham espaços de conversa e procurem ouvir os adolescentes com acolhimento e atenção.
Fonte: g1