A Aena, concessionária do Aeroporto de Congonhas, suspendeu temporariamente o corte de árvores em uma área verde entre as ruas Tamoios e General Pantaleão Teles, no Jardim Aeroporto, na Zona Sul de São Paulo. A decisão ocorreu após uma notificação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), em 22 de outubro.
A concessionária afirmou que interrompeu a intervenção para esclarecer dúvidas de órgãos públicos e moradores. Segundo a empresa, a retirada da vegetação é necessária para garantir a segurança das operações aéreas e estaria autorizada no licenciamento ambiental.
Moradores contestam a intervenção porque a área aparece no GeoSampa, plataforma oficial da Prefeitura de São Paulo, como praça ou canteiro público. Uma planta que delimita o sítio aeroportuário também indica que o trecho onde as árvores estavam sendo cortadas fica fora da área do aeroporto.
O corte começou em 20 de outubro, sem aviso prévio aos moradores, que registraram a ação e pediram explicações aos trabalhadores. No dia seguinte, eles voltaram ao local para acompanhar a situação e defender a preservação da área verde.
A Prefeitura de São Paulo informou que a Subprefeitura de Santo Amaro não autorizou a remoção das árvores. Uma equipe de fiscalização esteve na Rua General Pantaleão Teles em 21 de outubro, mas não encontrou responsáveis pela intervenção; o caso segue em apuração.
O documento apresentado por um trabalhador foi emitido pela Cetesb em 4 de julho de 2025 e está relacionado às obras de ampliação e modernização do aeroporto. O registro menciona a supressão de 781 árvores isoladas e 24 indivíduos não identificados, enquanto a Cetesb informou posteriormente ter aprovado a retirada de 1.191 árvores dentro da poligonal aeroportuária.
De acordo com o órgão ambiental, a autorização prevê a compensação com o plantio de 11 mil mudas em uma área de 4,8 hectares. A Aena afirmou que cumprirá o Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental firmado com a Cetesb, mas ainda não definiu o local do plantio.
A Cetesb informou que notificará a concessionária para que se manifeste sobre o cumprimento das exigências da autorização e que fará uma fiscalização no local. O órgão também disse que cobrará o reforço da comunicação com a comunidade do entorno.
A legislação municipal prevê comunicação à população com dez dias de antecedência para podas ou cortes de árvores em logradouros públicos, salvo situações de urgência, além de consulta aos moradores diretamente envolvidos.
Fonte: G1