Quase 90% das 93 mil pessoas detidas em El Salvador sob o regime de exceção do presidente Nayib Bukele ainda não foram julgadas, segundo balanço apresentado pelo Ministério Público do país ao Congresso.
O procurador-geral Rodolfo Delgado informou que foram registradas pouco mais de 10,5 mil condenações. Segundo ele, os números consideram apenas os casos que chegaram à fase de julgamento e podem aumentar.
Delgado não detalhou quais crimes foram incluídos no levantamento, mas afirmou que as condenações abrangem desde infrações de menor gravidade até homicídios e estupros múltiplos atribuídos a integrantes de grupos criminosos.
O Ministério Público também registrou 13 condenações à prisão perpétua por envolvimento com organizações terroristas, homicídios e feminicídios, além de 244 absolvições e dez arquivamentos.
O regime de exceção, em vigor há quatro anos, reduziu a criminalidade em El Salvador a níveis historicamente baixos, segundo o governo. Organizações humanitárias, porém, denunciam prisões arbitrárias, abusos, mais de 500 mortes de detidos e casos de pessoas incomunicáveis e sem julgamento.
A organização Socorro Jurídico afirma que um terço das pessoas detidas sob o regime é inocente. Bukele reconheceu que cerca de 8 mil pessoas foram libertadas, mas não informou se elas ainda respondem a processos; integrantes do governo classificam essas prisões como parte de uma margem de erro.
Fonte: O Globo