A Secretaria de Ecologia e Proteção Ambiental de Puerto Madryn, na Patagônia argentina, estabeleceu um protocolo para definir o destino de baleias mortas encontradas desde junho de 2026 na costa da cidade e na Península Valdés. Nos últimos dias, cinco baleias-francas-austrais apareceram mortas em menos de 48 horas, algumas na orla central.
O procedimento considera a espécie, a localização, o tamanho e o estado do animal, além dos riscos para a população. O sepultamento não é automático: o local precisa ficar fora do alcance das marés mais altas, longe de áreas sujeitas à erosão e sem ameaçar lençóis freáticos ou poços de água.
Quando o transporte por terra ou por água não é viável, as equipes enterram a carcaça nas proximidades, acima da linha da maré. Segundo o especialista em gestão ambiental Víctor Fratto, que integra o Programa de Monitoramento Sanitário da Baleia Franca Austral, a decisão também depende das condições do corpo e da possibilidade de manipulá-lo.
Assim que uma baleia é localizada, as autoridades isolam uma área de segurança de 100 metros. A população não deve perfurar os animais para liberar gases, e qualquer vazamento de líquido ou gás após o enterro deve ser informado pelo telefone 103, segundo Fratto.
Atualmente, há duas covas ativas na Praia Paraná, uma em Cerro Avanzado e outra em uma propriedade rural que cedeu espaço para receber as carcaças.
As causas das mortes ainda não foram confirmadas. Em filhotes, amostras preliminares identificaram uma bactéria associada à erisipela; em juvenis e adultos, os pesquisadores investigam uma possível intoxicação por biotoxinas relacionada à maré vermelha.
As análises são realizadas por laboratórios da Universidade Nacional da Patagônia San Juan Bosco, em Trelew, e do Instituto Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Pesqueiro, em Mar del Plata. Nenhum dos exames foi concluído, e ainda não há um número consolidado sobre a mortalidade registrada na temporada.
Fonte: O Globo