Pesquisas recentes no Peru, na Colômbia, no Chile e na Argentina indicam queda na aprovação de líderes de direita eleitos com promessas de combater a criminalidade, recuperar economias e estreitar relações com os Estados Unidos.
No Peru, a aprovação de Keiko Fujimori caiu para 40%, ante 57% em agosto, segundo levantamento da Ipsos divulgado na semana de 14 de outubro. Na Colômbia, Abelardo de la Espriella perdeu mais de três pontos percentuais no primeiro mês de governo.
No Chile, José Antonio Kast registrou 30% de aprovação na pesquisa mais recente da Cadem, divulgada em 18 de outubro. Esse é o menor nível desde o início de seu mandato, em março.
Na Argentina, o presidente Javier Milei também enfrenta sua pior taxa de aprovação a um ano da disputa pela reeleição. Para Michael Shifter, pesquisador sênior do centro de estudos The Inter-American Dialogue, parte dos governos criou expectativas que não seriam realistas, enquanto os eleitores esperam resultados rápidos.
Shifter afirmou à AFP que a rejeição não está necessariamente ligada à ideologia. Pesquisa do AmericasBarometer, realizada com mais de 25 mil pessoas em 21 países, apontou apoio limitado aos líderes de oito países aliados dos Estados Unidos que integram a aliança “Escudo das Américas”, promovida pelo presidente Donald Trump.
Na Bolívia, a insatisfação ganhou força após a eleição de Rodrigo Paz, apresentado como uma alternativa moderada e próxima do setor empresarial. Seis meses depois da posse, milhares de manifestantes bloquearam cidades para pedir sua renúncia e o responsabilizaram pela falta de combustível.
No Peru, eleitores que foram às urnas em abril e junho em busca de respostas para as extorsões também demonstram frustração. Guillermo Loli, diretor de pesquisas de opinião da Ipsos Peru, disse que a insegurança não será resolvida rapidamente, mas defendeu que os eleitores comecem a ver ações concretas.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, aparece como exceção. Ele tem 83% de aprovação no AmericasBarometer após uma ofensiva contra gangues que reduziu os índices de criminalidade, mas prendeu mais de 90 mil suspeitos sob um estado de exceção criticado por grupos de direitos humanos por supostos abusos.
Relatório da Universidade Vanderbilt classificou El Salvador como um experimento em que o Estado trocou liberdades por segurança. Shifter avaliou que o modelo de Bukele dificilmente poderá ser replicado diante das redes de crime transnacional presentes em outros países da região.
Fonte: O Globo