O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou cinco pessoas por suposto envolvimento no cultivo de cerca de 290 mil pés de maconha em uma fazenda de Acopiara, no interior do estado. A plantação foi localizada durante uma operação das forças de segurança em 25 de junho de 2026.
Segundo a denúncia, os acusados responderão por tráfico de drogas, cultivo de maconha e associação para o tráfico. João Holanda Neto e Cristiano Rodrigues de Lima também foram denunciados por permitir o uso do imóvel para atividades relacionadas ao tráfico. O MPCE pediu ainda a expropriação da propriedade.
O órgão afirma que a lavoura ocupava aproximadamente 28 mil metros quadrados e contava com irrigação por gotejamento, barracas de apoio e equipamentos importados da Espanha para o processamento da droga.
João Holanda Neto, agricultor de 60 anos, é apontado pelo MPCE como proprietário de fato e possuidor indireto da fazenda. Conforme a acusação, ele teria mantido a administração do imóvel e permitido que Cristiano, arrendatário formal, utilizasse a propriedade para o cultivo.
Cristiano Rodrigues de Lima, ex-motorista e apontado como responsável direto pela lavoura, teria contratado trabalhadores, ordenado a compra de insumos, fiscalizado os serviços e feito pagamentos. Segundo o MPCE, ele também fazia a ligação entre o grupo que atuava na fazenda e os responsáveis pelo fornecimento de materiais.
Francisco Augusto Alves da Silva, conhecido como Giló, e Manoel Clênio Mendonça Leal Filho são acusados de comprar, retirar e transportar insumos usados na irrigação, fertilização e proteção da plantação. Os dois foram presos em julho, após terem fugido para o Maranhão e se escondido em Orós, no Ceará, de acordo com a denúncia.
O advogado pernambucano Geraldo Dário Soares, de 58 anos, é apontado como responsável técnico pelo cultivo. Conforme o MPCE, ele especificava os produtos que deveriam ser utilizados, financiava compras e orientava a aplicação dos insumos.
Cristiano é considerado foragido. Francisco, Manoel e Geraldo permanecem presos, e o Ministério Público pediu a manutenção das prisões preventivas. A defesa de João informou que não se manifestaria; o veículo não localizou os advogados dos demais denunciados.
A Polícia Civil informou que encontrou cerca de 160 mil plantas em cultivo e outras 130 mil já colhidas. A corporação divulgou imagens da derrubada e da incineração do material, concluída em 2 de julho, mas a operação gerou questionamentos após o deputado federal André Fernandes publicar um vídeo com restos de plantas enterrados na propriedade.
A Polícia Civil afirmou que o material mostrado pelo parlamentar era formado por restos da plantação e de outras plantas destruídas. O governo do Ceará informou que apuraria possíveis irregularidades na condução e na guarda do material. A denúncia ainda será analisada pela Justiça, e os acusados não foram condenados.
Fonte: g1 Ceará