A cidade de Taiz, uma das maiores do Iêmen, enfrenta a terceira semana de cerco imposto pelos houthis, com estoques de alimentos, água potável e combustível em queda. Autoridades iemenitas e estrangeiras alertam para o risco de uma crise humanitária.
Moradores afirmam que as famílias estão ficando sem comida e água, enquanto hospitais enfrentam a falta de combustível e de suprimentos médicos. Alhan Al-Shaibani, que vive com outras seis pessoas, disse que passou a ferver a água salgada da torneira para consumo e que sua mãe e sua avó, ambas diabéticas, não encontram medicamentos.
A oferta de vegetais se tornou escassa, e famílias usam lenha, carvão ou papelão para cozinhar devido à falta de gás. Segundo Shayef al-Jabri, consultor de uma organização local, produtos básicos começaram a desaparecer dos mercados e caminhões que transportam água potável ficaram retidos em áreas de combate.
Os houthis responsabilizam tropas aliadas ao governo internacionalmente reconhecido pelo bloqueio das estradas de acesso a Taiz e pedem a rendição dessas forças. Ahmad Ameen, governador das áreas da província controladas pela milícia, afirmou que o grupo está disposto a abrir estradas seguras e tenta coordenar a entrega de alimentos.
O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu aos houthis que permitam a entrada de ajuda humanitária. Segundo ele, o fechamento de uma rota entre Taiz e o sul do Iêmen coloca os civis em grave risco.
A situação se agravou no início de outubro, depois que os houthis assumiram o controle da última estrada que ligava a cidade ao sul do país. Algumas famílias tentam deixar Taiz, mas moradores e autoridades afirmam que as rotas de saída são perigosas.
Hospitais também enfrentam dificuldades para continuar funcionando. Ilan Abdul Haq, vice-governador de Taiz para assuntos de saúde e meio ambiente, disse que as unidades estão à beira de fechar, enquanto Mohammed al-Faqih, diretor do hospital Al-Thawra, afirmou que os estoques de combustível para os geradores e de medicamentos estão quase esgotados.
O conflito ocorre em meio à intensificação da guerra entre os houthis, que controlam grande parte do norte do Iêmen, e o governo apoiado pela Arábia Saudita. Mais de 250 mil pessoas foram deslocadas no país desde agosto, segundo a Organização das Nações Unidas.
Taiz é um centro cultural e intelectual nas montanhas do sudoeste do Iêmen. Os houthis começaram a bloquear a cidade depois de avançarem pelo noroeste do país, após tomarem a capital, Sana, em 2014; uma trégua firmada em 2022 trouxe uma redução temporária dos combates.
Fonte: O Globo