A cidade de Taiz, no sudoeste do Iêmen, entra na terceira semana sob cerco dos houthis com estoques cada vez menores de alimentos, água potável e combustível. Autoridades iemenitas e estrangeiras alertam para o risco de uma crise humanitária.
Moradores afirmam que famílias enfrentam dificuldade para encontrar comida e água, enquanto hospitais estão perto de ficar sem combustível e suprimentos médicos. Alhan Al-Shaibani, que vive com outras seis pessoas, disse que passou a ferver a água salgada da torneira para consumo.
Segundo Al-Shaibani, a família também não encontra medicamentos para a mãe e a avó, ambas diabéticas. Vegetais se tornaram raros, e moradores usam lenha, carvão ou caixas de papelão para aquecer as refeições devido à falta de gás.
Os houthis responsabilizam tropas aliadas ao governo internacionalmente reconhecido pelo bloqueio das estradas de acesso à cidade. Ahmad Ameen, governador das áreas da província controladas pela milícia, afirmou que o grupo está disposto a abrir estradas seguras e tenta coordenar a entrega de alimentos.
Em 20 de outubro, o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu aos houthis que permitam a entrada de ajuda humanitária. Segundo ele, o fechamento de uma rota entre Taiz e o sul do país coloca os civis em grave risco.
A crise se agravou no início de outubro, depois que os houthis assumiram o controle da última estrada que ligava Taiz ao sul do Iêmen, de acordo com Shayef al-Jabri, consultor de uma organização local. Caminhões que transportam água potável estão retidos em áreas de combate, e o lixo se acumula nas ruas.
O médico Ilan Abdul Haq, vice-governador de Taiz para assuntos de saúde e meio ambiente, afirmou que os hospitais estão à beira de fechar. Mohammed al-Faqih, diretor do hospital Al-Thawra, disse que os estoques de combustível para os geradores e de medicamentos para doenças potencialmente fatais estão quase esgotados.
Os confrontos continuam nos arredores da cidade, sob bombardeios, segundo o coronel Abdul Basit al-Baher, das forças do governo. Ele rejeitou os apelos dos houthis para que os adversários se rendam.
O cerco ocorre em meio à intensificação da guerra entre os houthis, apoiados pelo Irã e presentes em grande parte do norte do Iêmen, e o governo apoiado pela Arábia Saudita. Desde agosto, mais de 250 mil pessoas foram deslocadas no país, segundo a Organização das Nações Unidas.
Fonte: O Globo