A Prefeitura de São Paulo confirmou o vazamento de dados do Smart Sampa, mas negou que tenha ocorrido uma falha de segurança na plataforma e atribuiu a exposição ilegal das informações a um agente de segurança que tinha acesso autorizado ao sistema.
Segundo reportagem do UOL publicada nesta terça-feira (20), dados sigilosos ficaram disponíveis na internet por cerca de 11 meses, permitindo o acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras conectadas ao programa. Os equipamentos estão instalados em locais como ruas, escolas, creches e hospitais da capital.
De acordo com a prefeitura, o servidor foi identificado, afastado e passou a ser investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana. A gestão municipal informou que o repositório foi retirado do ar e que reforçou a proteção do sistema com senhas exclusivas, autenticação em dois fatores e códigos enviados por SMS para a criação de novas senhas.
A prefeitura também afirmou que o Smart Sampa é fiscalizado pelo Tribunal de Contas do Município, conta com consultoria especializada em governança e privacidade de dados e prevê auditorias periódicas, testes de segurança e correção de vulnerabilidades. A administração negou ter identificado uso indevido da plataforma.
Lançado em 2024, o sistema integra imagens de câmeras públicas e privadas e usa inteligência artificial para comparar pessoas captadas pelas câmeras com bases de procurados pela Justiça e desaparecidos. O programa tem custo mensal estimado em R$ 10 milhões e, segundo balanço divulgado pela prefeitura, contribuiu para a captura de 3.628 foragidos e a localização de 284 pessoas desaparecidas.
A eficácia do Smart Sampa já foi questionada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC). Estudo da entidade, que analisou dados de março de 2024 a abril de 2025, não encontrou redução estatisticamente significativa nos índices de furtos, roubos e homicídios nem aumento relevante na produtividade policial após a implantação do sistema. A prefeitura contestou a metodologia e as conclusões do levantamento.
Fonte: g1