A Prefeitura de São Paulo confirmou nesta terça-feira (20) o vazamento de dados sigilosos do Smart Sampa, sistema municipal de monitoramento por câmeras e reconhecimento facial, e atribuiu a divulgação ilegal a um agente de segurança que tinha acesso autorizado à plataforma.
Segundo reportagem do UOL, informações do sistema ficaram expostas na internet por cerca de 11 meses. O acesso teria permitido visualizar imagens de mais de 58 mil câmeras conectadas ao programa, instaladas em locais como ruas, escolas, creches e hospitais da capital.
A administração municipal afirmou que não houve falha de segurança na plataforma. De acordo com a prefeitura, o agente foi identificado, afastado e passou a ser investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana.
A prefeitura informou ainda que o repositório disponibilizado na internet foi retirado do ar e que reforçou os mecanismos de proteção do sistema. Entre as medidas citadas estão o uso de senhas exclusivas, autenticação em dois fatores e exigência de códigos enviados por SMS para a criação de novas senhas.
A gestão Ricardo Nunes também declarou que o Smart Sampa é acompanhado pelo Tribunal de Contas do Município, por consultoria especializada em governança e privacidade de dados e por relatórios semestrais encaminhados ao Ministério Público. O contrato prevê auditorias periódicas, testes de segurança e correção de eventuais vulnerabilidades, segundo a prefeitura.
Lançado em 2024, o programa integra imagens de câmeras públicas e privadas e utiliza inteligência artificial para comparar pessoas captadas pelas lentes com bases oficiais de procurados pela Justiça e desaparecidos. O sistema também identifica veículos roubados, furtados ou com suspeita de clonagem de placas, com custo mensal estimado em cerca de R$ 10 milhões.
A eficácia do programa foi questionada em estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), que não encontrou redução estatisticamente significativa nos índices de furtos, roubos e homicídios entre março de 2024 e abril de 2025. A prefeitura contestou a metodologia da pesquisa e afirmou que as comparações entre São Paulo e outros municípios eram inadequadas.
Fonte: g1