A Prefeitura de São Paulo confirmou o vazamento de dados do Smart Sampa, mas negou que tenha ocorrido uma falha de segurança na plataforma e atribuiu a exposição a um servidor com acesso autorizado ao sistema. O agente foi afastado, e sua conduta é investigada pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana.
Segundo reportagem publicada pelo UOL e reproduzida pelo g1, informações sigilosas permaneceram disponíveis na internet por cerca de 11 meses. O material teria permitido acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras conectadas ao programa, incluindo equipamentos instalados em ruas, escolas, creches e hospitais.
De acordo com a prefeitura, o repositório colocado ilegalmente na internet foi retirado do ar. A gestão municipal afirmou ainda ter reforçado a proteção do sistema com senhas exclusivas, autenticação em dois fatores e exigência de código enviado por SMS para a criação de novas senhas.
A administração Ricardo Nunes declarou que o Smart Sampa é fiscalizado pelo Tribunal de Contas do Município, conta com consultoria especializada em governança e privacidade de dados e envia relatórios semestrais de transparência ao Ministério Público. O contrato também prevê auditorias periódicas, testes de segurança e correção de vulnerabilidades.
Lançado em 2024, o Smart Sampa integra imagens de câmeras públicas e privadas e usa inteligência artificial para comparar pessoas identificadas pelas câmeras com bases oficiais de procurados pela Justiça e desaparecidos. A plataforma também permite localizar veículos roubados, furtados ou com suspeita de clonagem de placas, com custo mensal informado pela prefeitura de cerca de R$ 10 milhões.
O programa teve sua eficácia questionada por estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania. A pesquisa, que analisou dados de março de 2024 a abril de 2025, concluiu que a instalação das câmeras não produziu redução estatisticamente significativa nos índices de furtos, roubos e homicídios, nem aumento relevante na produtividade policial.
A prefeitura contestou a metodologia do estudo e afirmou que a comparação entre a capital paulista e outros municípios não considerou diferenças sociais, econômicas e criminais. Segundo o balanço mais recente divulgado pela administração, o Smart Sampa contribuiu para a captura de 3.628 foragidos da Justiça e a localização de 284 pessoas desaparecidas.
Fonte: g1