Uma jovem de 19 anos acusa um integrante da fraternidade Alpha Delta Phi de estupro durante uma festa em 7 de fevereiro de 2026, em uma casa próxima à Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Identificada como Jane Doe no processo, ela também acionou judicialmente a organização nacional e sua unidade local por suposta negligência diante de denúncias anteriores.
Segundo a ação, a jovem recebeu uma dose de bebida alcoólica de um integrante da fraternidade e passou a sentir tontura e dificuldade para se manter em pé. Ela afirma que foi levada a um quarto no andar superior, onde teria sofrido investidas sexuais sem consentimento e perdido a capacidade física e verbal de resistir.
A denúncia afirma que o homem se recusou a usar preservativo, deixou a jovem inconsciente e saiu do quarto. Uma amiga teria sido impedida por outros integrantes de subir até o local e só conseguiu chegar à vítima após autorização do acusado, de acordo com o processo.
A jovem relatou dificuldade para falar e caminhar ao deixar a casa com a ajuda de amigas. Na manhã seguinte, após notar manchas de sangue na roupa íntima, procurou a polícia e foi atendida no hospital Illinois Masonic, em Chicago.
A polícia de Chicago confirmou o recebimento de uma denúncia e informou que a investigação está em andamento. O processo foi apresentado no Tribunal do Condado de Cook, em Illinois, e pede indenização por danos físicos, sofrimento emocional e impactos psicológicos.
A ação cita investigações policiais sobre denúncias de violência sexual envolvendo a fraternidade desde 2009, além de uma publicação anônima no Instagram, em setembro de 2022, que relatava outra acusação e pedia medidas contra a unidade. A autora afirma que a organização nacional não adotou restrições para festas, exigências de segurança nos quartos ou monitores sóbrios nos andares superiores.
Em declaração à revista People, a direção nacional da Alpha Delta Phi disse levar as acusações a sério, afirmou ter suspendido o integrante envolvido e declarou que cooperará com as autoridades. A organização classificou a conduta descrita na denúncia como incompatível com seus valores.
O caso ocorre após outra denúncia de violência sexual, registrada em outubro em uma casa da fraternidade Alpha Epsilon Pi, também nas proximidades da Universidade de Chicago. Segundo a CBS News Chicago, os episódios não têm relação entre si.
A Universidade de Chicago afirma que as fraternidades não são organizações estudantis oficialmente reconhecidas pela instituição e não têm vínculo formal com ela. Os estudantes da universidade, contudo, estão sujeitos às regras internas e a eventuais procedimentos disciplinares.
O episódio também ocorre em meio à repercussão de uma denúncia apresentada por uma ex-aluna da Universidade Cornell contra sete integrantes da fraternidade Chi Phi. Após protestos no campus, Cornell suspendeu festas em casas de fraternidades até o fim do ano letivo de 2026-2027.
Fonte: O Globo