A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) embargou, em 1º de outubro, a construção de um muro nas proximidades da Lagoa do Cauípe, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. A obra, atribuída ao grupo Vila Galé, foi autuada com multa de R$ 40 mil após denúncia de moradores.
Segundo a Semace, a fiscalização identificou a execução da base do alicerce em uma Área de Preservação Permanente (APP) e dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Lagamar do Cauípe. O órgão informou que não foi apresentada, no momento da vistoria, documentação que autorizasse a intervenção na área protegida.
O Instituto do Meio Ambiente de Caucaia (Imac) afirmou que o empreendimento possui licença para a construção do hotel-clube, mas que o documento não autoriza a execução do muro. A prefeitura disse que acompanha o caso e verifica as intervenções permitidas pela licença.
Moradores, bugueiros, instrutores de kitesurf e outros trabalhadores temem que a obra limite o acesso de pedestres, banhistas e profissionais à lagoa. Eles também afirmam que a intervenção poderia afetar a atividade turística e facilitar a privatização do espaço.
Em 5 de outubro, a comunidade realizou uma manifestação no entorno da lagoa, com faixas contra a privatização. Trabalhadores da região disseram que cerca de 180 famílias de bugueiros podem ser impactadas caso o acesso seja restringido.
O grupo Vila Galé declarou que o muro seguia um projeto aprovado pelas autoridades municipais e ambientais, mas reconheceu que o braço do rio junto à propriedade teria se alargado desde a aprovação. A empresa afirmou que vai alterar a localização da estrutura e manter afastamento de 30 metros das margens, além de sustentar que o acesso à região continuará garantido por um caminho.
O Mira Beach Club, localizado dentro da área do Vila Galé, informou que não é proprietário do terreno nem responsável pela obra. O estabelecimento declarou ainda defender a preservação e o acesso livre à Lagoa do Cauípe.
Fonte: g1