A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) embargou, em 1º de outubro, a construção de um muro próximo à Lagoa do Cauípe, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, após denúncia de moradores. Segundo o órgão, a intervenção fica em Área de Preservação Permanente (APP) e dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Lagamar do Cauípe.
A fiscalização constatou a execução da base do alicerce e aplicou multa de R$ 40 mil, além de determinar a paralisação imediata da obra. Em visita ao local na quinta-feira (15), o g1 encontrou areia, blocos de concreto, tijolos e outros materiais de construção.
Moradores, bugueiros, instrutores de kitesurf e outros trabalhadores afirmam que o muro poderia dificultar o acesso de pedestres, banhistas e trabalhadores à lagoa. Eles também temem a privatização do espaço e impactos sobre as atividades ligadas ao turismo.
A Lagoa do Cauípe é um dos principais pontos turísticos de Caucaia e recebe praticantes de kitesurf, além de visitantes que fazem passeios de buggy e a cavalo. Cerca de 180 famílias de bugueiros, segundo uma liderança comunitária ouvida pelo g1, poderiam ser afetadas por eventuais restrições de circulação.
O Instituto do Meio Ambiente de Caucaia (Imac) informou que o grupo Vila Galé possui licença para construir um hotel-clube, mas que o documento não autoriza a construção do muro. A prefeitura afirmou que a licença está condicionada aos limites previstos no documento e na legislação ambiental.
O grupo Vila Galé declarou que o muro estava previsto em um projeto aprovado por órgãos municipais e ambientais. A empresa afirmou, contudo, que o braço do rio junto à propriedade se alargou desde a aprovação e que pretende reposicionar a estrutura, mantendo afastamento de 30 metros das margens. Segundo o grupo, a obra não impedirá o acesso à região, que seria garantido por um caminho.
O Mira Beach Club, localizado dentro do espaço do Vila Galé, disse que não é proprietário do terreno nem responsável pela execução da obra. O estabelecimento afirmou ainda defender a preservação e o acesso livre à Lagoa do Cauípe.
Também houve relatos, feitos ao g1 por pessoas que não quiseram se identificar, de cobrança de R$ 30 a R$ 40 pelo acesso à lagoa nos fins de semana. A informação não foi apresentada como constatação pelos órgãos ambientais.
Fonte: g1