Uma força-tarefa formada por universidades e órgãos estaduais e federais repatriou 1.281 fósseis para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, no sul do Ceará, nos últimos cinco anos.
As peças foram recuperadas em sete países: Alemanha, Estados Unidos, França, Irlanda, Itália, Reino Unido e Suíça. Entre os fósseis está o Ubirajara jubatus, que foi mantido na Alemanha antes de retornar ao Brasil.
Uma das peças mais recentes é uma estrutura de araucária estimada em 120 milhões de anos. O fóssil recebeu o nome científico Araucaria benignae, em homenagem à beata Benigna, primeira pessoa do Ceará a obter reconhecimento do Vaticano. A espécie foi identificada em uma coleção repatriada da França em 2024.
Segundo Alysson Pinheiro, diretor do museu, o material será incorporado ao acervo e parte dele ficará disponível para visitação. A pesquisadora Edenilce Peixoto Batista explicou que, no período em que a espécie existia, as araucárias tinham distribuição mais ampla e estavam entre os principais componentes da vegetação do Nordeste brasileiro.
A Chapada do Araripe é reconhecida internacionalmente pela quantidade e pelo estado de preservação dos fósseis. A região concentra espécies do Cretáceo Inferior, período em que a América do Sul se separava da África, e é apontada como uma das áreas mais importantes do mundo para o estudo de pterossauros.
O museu, criado há 38 anos, reúne mais de 15 mil fósseis escavados na Chapada do Araripe. A expansão do acervo também contribuiu para o aumento da visitação: foram mais de 35 mil visitantes em 2025 e cerca de 24 mil até julho de 2026.
Para ampliar o acesso da população local ao patrimônio paleontológico, escolas e instituições da região passaram a promover atividades educativas. O Educar Sesc Crato, por exemplo, inaugurou uma Sala de Ciências com oficinas de escavação, réplicas e fósseis verdadeiros para aproximar os estudantes do trabalho dos paleontólogos.
Fonte: g1 Ceará