As manifestações realizadas na França em 17 de outubro de 2026, que reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas segundo estimativas do governo e dos organizadores, foram convocadas nas redes sociais sob o lema "Amarelos e Jovens", em referência ao movimento dos Coletes Amarelos.
O movimento surgiu em 2018 contra a proposta do presidente Emmanuel Macron de criar um imposto sobre o carbono nos combustíveis. Em 17 de novembro daquele ano, cerca de 300 mil pessoas participaram de atos, muitas usando coletes amarelos fluorescentes, e bloquearam estradas e rotatórias em áreas rurais e pequenas cidades.
As manifestações evoluíram para uma revolta contra o custo de vida e as políticas pró-mercado de Macron. Os protestos também registraram confrontos com as forças de segurança, vandalismo e saques em Paris, incluindo episódios na avenida Champs-Élysées e no Arco do Triunfo.
Em dezembro de 2018, o Arco do Triunfo foi vandalizado e o museu instalado no monumento foi saqueado. Lojas, carros e restaurantes também foram depredados ou incendiados durante aquela e outras manifestações.
A repressão policial passou a integrar o centro do debate depois que o uso de armas não letais deixou manifestantes gravemente feridos. Estimativas citadas na época apontaram que entre 24 e 40 pessoas perderam ao menos um olho, enquanto o Ministério do Interior registrou cerca de 1,9 mil manifestantes e 1,8 mil policiais, gendarmes e bombeiros feridos.
Um dos episódios mais conhecidos envolveu o ex-boxeador Christophe Dettinger, filmado agredindo dois policiais em uma ponte de Paris. Ele foi condenado a um ano de prisão.
O movimento perdeu força com o tempo, após o governo anunciar mais de 10 bilhões de euros em isenções fiscais e bônus destinados a trabalhadores de baixa renda e aposentados, segundo números apresentados pela Bloomberg.
Na política, os Coletes Amarelos impulsionaram a proposta do Referendo de Iniciativa Cidadã, mecanismo que permitiria aos cidadãos convocar consultas populares a partir de um número mínimo de assinaturas. A medida não foi adotada, e Macron se opôs ao projeto.
Fonte: O Globo