As manifestações realizadas na França no sábado (17 de outubro) reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas, segundo estimativas do governo e dos organizadores, e foram convocadas nas redes sociais com o lema "Amarelos e Jovens", em referência ao movimento dos Coletes Amarelos.
O grupo surgiu em 2018, após o então presidente Emmanuel Macron propor um imposto sobre o carbono nos combustíveis. Em 17 de novembro daquele ano, cerca de 300 mil pessoas protestaram, muitas usando coletes amarelos fluorescentes, e bloquearam estradas e rotatórias em áreas rurais e pequenas cidades.
Nas semanas seguintes, a mobilização se transformou em uma revolta nacional contra o custo de vida e as políticas pró-mercado de Macron. Os atos também ficaram marcados por confrontos com as forças de segurança e episódios de vandalismo.
Em dezembro de 2018, uma manifestação na avenida Champs-Élysées, em Paris, terminou com danos ao Arco do Triunfo, saque a lojas e incêndios de carros e restaurantes. O ex-boxeador Christophe Dettinger foi condenado a um ano de prisão após ser filmado agredindo dois policiais em uma ponte da capital.
O uso de armas não letais pela polícia ampliou as críticas ao governo depois que manifestantes sofreram ferimentos graves. Estimativas citadas no texto apontam que entre 24 e 40 pessoas perderam ao menos um olho, enquanto o Ministério do Interior registrou, em 2019, cerca de 1,9 mil manifestantes e 1,8 mil policiais, gendarmes e bombeiros feridos.
O movimento perdeu força ao longo do tempo, após o governo anunciar mais de 10 bilhões de euros em isenções fiscais e bônus para trabalhadores de baixa renda e aposentados. A mobilização também impulsionou o debate sobre o Referendo de Iniciativa Cidadã, mecanismo de democracia direta que não chegou a ser criado na França.
Fonte: O Globo