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sábado, 17 de outubro de 2026

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ELEIÇÕES

PF investiga uso de milícia em reduto eleitoral de ex-prefeito de Belford Roxo

PF aponta suspeita de uso de milícia para sustentar domínio eleitoral de Márcio Canella em Belford Roxo, onde Rueda concentrou votos.

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O deputado federal eleito Antonio Rueda recebeu 60,2% de seus 155.836 votos em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde fez campanha conjunta com o ex-prefeito Márcio Canella, preso na quinta-feira (15). A Polícia Federal investiga a suspeita de uso de milícia para sustentar o domínio eleitoral de Canella no município.

Rueda, presidente nacional do União Brasil, não é citado no relatório da PF que fundamentou o pedido de prisão de Canella. O documento, elaborado em 3 de setembro, aponta que um miliciano condenado teria ajudado o ex-prefeito a controlar currais eleitorais na cidade.

A Procuradoria Regional Eleitoral, contudo, questionou a candidatura de Rueda e apontou uma suposta “conexão estrutural e territorial” entre o deputado eleito, Canella e operadores paramilitares. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro autorizou o registro das duas candidaturas.

Durante a campanha, Rueda foi apresentado como o “federal do Canella”. Os dois divulgaram suas candidaturas em conjunto, enquanto Canella disputava uma vaga de deputado estadual, e também apareceram em materiais de campanha ao lado de Fabinho Varandão, que foi secretário municipal de Esportes na gestão do ex-prefeito.

Segundo a Procuradoria, Varandão é acusado de integrar uma milícia armada, praticar extorsões e ameaçar comerciantes. O órgão também atribuiu a ele o controle armado e o monopólio da distribuição de internet em bairros de Belford Roxo, além de afirmar que ele atuava na promoção de eventos e propagandas políticas.

Canella recebeu 133.956 votos em Belford Roxo, o equivalente a 54% dos votos para deputado estadual no município, segundo levantamento do RJ2. Nas quatro zonas eleitorais da cidade, sua votação variou de 46% a 61%.

As suspeitas sobre a relação de Canella com grupos milicianos já haviam sido analisadas pelo TRE-RJ antes da eleição. O desembargador Guilherme Calmon votou contra a candidatura e citou a nomeação da mulher do ex-policial Juracy Prudêncio, conhecido como Jura e apontado como líder do grupo chamado “Bonde do Jura”, para um gabinete ocupado por Canella na Assembleia Legislativa do Rio.

O plenário do TRE-RJ, porém, autorizou a candidatura. A validade dos votos de Canella ainda será analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral, em julgamento sem data marcada.

A defesa de Canella não respondeu ao contato do RJ2 antes da publicação, mas afirmou, na quinta-feira, que ele confia na Justiça e que os fatos serão esclarecidos. Rueda e Fabinho Varandão não responderam aos pedidos de posicionamento.

Fonte: G1

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