A prisão preventiva do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) pode provocar, no início da próxima legislatura, uma nova discussão sobre a posse de parlamentares eleitos que estão detidos. Canella foi preso pela Polícia Federal na quinta-feira (15), no Rio de Janeiro, e teve a prisão mantida pela Justiça no dia seguinte.
Canella recebeu 197.178 votos nas eleições de 2026, a segunda maior votação para deputado estadual no estado. Como a prisão preventiva não tem prazo definido, a situação poderá ser analisada caso ele permaneça detido até a posse dos eleitos, prevista para fevereiro de 2027.
O caso tem precedente na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em novembro de 2018, os deputados estaduais reeleitos André Corrêa, Luiz Martins, Marcus Abrahão, Marcus Vinícius Neskau e Chiquinho da Mangueira foram presos durante a Operação Furna da Onça, que investigava suspeitas de corrupção envolvendo parlamentares.
Na ocasião, os cinco foram diplomados por procuração. O livro de posse da Alerj foi levado aos locais onde estavam presos — quatro no Complexo Penitenciário de Bangu e Chiquinho da Mangueira em prisão domiciliar —, mas o procedimento foi contestado pelo Ministério Público e acabou suspenso por decisão judicial.
Após uma decisão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de 2019, a Alerj votou pela revogação das prisões preventivas. Em maio de 2020, os deputados obtiveram autorização para assumir os mandatos. Segundo a reportagem, André Corrêa e Luiz Martins foram posteriormente absolvidos por falta de provas.
A situação eleitoral de Canella também está sob questionamento. O Ministério Público Eleitoral contestou o registro de sua candidatura, mas o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) liberou a candidatura. Essa discussão é independente da investigação criminal e ainda pode ter desdobramentos na Justiça Eleitoral.
A prisão de Canella ocorreu na oitava fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A investigação apura a atuação de uma organização suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e menciona movimentações estimadas em R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026.
As suspeitas investigadas incluem organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção, mas não representam condenação. Por meio da defesa, Canella afirmou que confia na Justiça e que os fatos serão esclarecidos.
Fonte: g1