O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, recebeu 60,2% dos 155.836 votos obtidos na eleição para deputado federal em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde fez campanha conjunta com o ex-prefeito Márcio Canella. Preso na quinta-feira (15), Canella é investigado pela Polícia Federal por suposto uso de estrutura miliciana para manter controle eleitoral no município.
Rueda não é citado no relatório da PF que fundamentou o pedido de prisão de Canella. A Procuradoria Regional Eleitoral, porém, questionou a candidatura do dirigente partidário e apontou uma suposta “conexão estrutural e territorial” entre Rueda, Canella e operadores paramilitares em Belford Roxo.
Na campanha, Rueda foi apresentado como o “federal do Canella”, enquanto o ex-prefeito disputava uma vaga de deputado estadual. Os dois também apareceram em materiais de divulgação ao lado de Fabinho Varandão, que foi secretário municipal de Esportes durante a gestão de Canella.
Segundo o parecer da Procuradoria, Varandão é acusado de integrar uma milícia armada, praticar extorsões e ameaçar comerciantes. O documento também atribui a ele o controle armado e o monopólio da distribuição de sinal de internet em bairros do município, além de participação na organização de comícios, reuniões e peças de campanha.
Apesar da manifestação contrária do Ministério Público Eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro autorizou a candidatura de Rueda. O tribunal também permitiu que Canella disputasse a eleição, mas a validade dos votos do ex-prefeito ainda será analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral, em julgamento sem data marcada.
Dados divulgados pelo RJ2 indicam que Canella recebeu 133.956 votos em Belford Roxo, o equivalente a 54% dos votos para deputado estadual na cidade. Nas quatro zonas eleitorais do município, sua votação variou de 46% a 61%.
As suspeitas sobre a relação de Canella com grupos milicianos já haviam sido discutidas no TRE-RJ durante o julgamento do registro de candidatura. O desembargador Guilherme Calmon votou pelo impedimento da candidatura e mencionou, entre outros pontos, a nomeação da mulher do ex-policial Juracy Prudêncio, conhecido como Jura e apontado como chefe do grupo “Bonde do Jura”, para o gabinete de Canella na Assembleia Legislativa do Rio.
O relatório da PF também cita a operação municipal Barricada Zero. Conforme o voto de Calmon, a entrada do então prefeito em áreas dominadas pelo tráfico para gravar vídeos e realizar obras dependeria de autorização de criminosos apontados como Soró e Doca, este último associado ao Comando Vermelho. As informações integram alegações e documentos analisados pelas autoridades, não uma condenação definitiva.
A defesa de Canella não respondeu ao pedido de posicionamento do RJ2 antes da publicação. Na quinta-feira (15), os advogados afirmaram que ele confia na Justiça e acredita que os fatos serão esclarecidos. Rueda e Fabinho Varandão não responderam aos contatos.
Fonte: g1