A 44ª Vara Cível de São Paulo negou o pedido do advogado Willer Tomaz para receber de volta R$ 163 milhões que ele afirma ter perdido em apostas na plataforma Blaze. A sentença foi proferida pelo juiz Guilherme Madeira Dezem.
Segundo a decisão, Tomaz pediu a criação de mesas exclusivas de blackjack e solicitou sucessivos aumentos dos limites de aposta, que chegaram a R$ 500 mil por rodada. Para o magistrado, as perdas decorreram do risco assumido voluntariamente pelo apostador em uma atividade aleatória.
A defesa alegou que o advogado tem ludopatia, transtorno associado à perda de controle sobre o impulso de jogar, e que a plataforma teria falhado ao permitir operações de alto valor mesmo após pedidos de bloqueio da conta. A Blaze contestou o cálculo apresentado e afirmou que o chamado prejuízo não poderia ser obtido pela simples soma dos depósitos, sem considerar os valores movimentados de volta na conta.
Dados apresentados pela defesa no processo indicam que Tomaz movimentou R$ 6,6 bilhões em apostas entre janeiro de 2025 e julho de 2026, com prejuízo informado de R$ 188,5 milhões. No período, ele teria feito 2.145 depósitos, que totalizaram R$ 325 milhões.
A decisão permitiu, no entanto, que o advogado deixe de ser contatado pela plataforma. A defesa também questionou os limites de depósito e saque e afirmou que a Blaze ofereceu R$ 42,2 milhões em bônus ao longo do relacionamento com o cliente.
A Polícia Federal investiga se operações de apostas foram usadas por Tomaz para lavagem de dinheiro. A apuração não representa, por si só, uma conclusão sobre a prática de crime, e a defesa nega irregularidades, afirmando que as movimentações ocorreram em contas próprias, de forma rastreável.
Tomaz é amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Os dois viajaram em janeiro de 2025 dos Estados Unidos para o Brasil em uma aeronave administrada por empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio e Tomaz negam ter negócios em comum.
Fonte: g1