Pacientes com câncer relatam consultas canceladas e interrupção de tratamentos no Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro, após a saída de oncologistas da unidade. Alguns afirmam estar há meses sem acompanhamento médico e sem previsão para retomar a quimioterapia.
José Luiz Garcia de Andrade disse que teve consultas remarcadas e posteriormente canceladas depois que os médicos responsáveis deixaram o hospital. Em uma das comunicações, a unidade informou que aguardava a liberação de novas agendas pela coordenação médica e, depois, a contratação de profissionais para convocar os pacientes.
Outros pacientes relatam situação semelhante. Nazaré Falcão afirma estar há três meses sem médico e sem quimioterapia, enquanto Áurea Cristina diz ter tido três consultas desmarcadas e teme ficar sem a medicação prescrita anteriormente.
A Prefeitura do Rio reconheceu dificuldades para preencher todas as vagas de oncologia. Segundo o município, especialistas foram contratados, mas há editais em andamento para uma vaga de oncologista clínico, outra de oncologista clínico e uma de onco-hematologista, todas com carga horária de 12 horas.
Fontes ouvidas pela reportagem associaram a dificuldade de contratação à terceirização dos serviços por organizações sociais, que, segundo esses relatos, enfrentariam problemas para atrair profissionais e maior rotatividade.
O hospital também ainda não atingiu a meta de 450 leitos anunciada após a municipalização. Dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que a unidade tem 358 leitos, dos quais 42 estão impedidos e indisponíveis para uso.
Em nota, a Prefeitura afirmou ter contratado mais de quatro mil profissionais desde que assumiu a gestão do hospital e disse que reabriu serviços fechados há anos. A Secretaria de Saúde informou ainda que os pacientes mencionados na reportagem terão atendimento agendado para a semana seguinte.
Fonte: g1