Pacientes com câncer relatam estar há meses sem acompanhamento médico e, em alguns casos, sem quimioterapia no Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A falta de oncologistas provocou cancelamentos sucessivos de consultas e deixou pacientes sem previsão para retomar o tratamento.
José Luiz Garcia de Andrade afirmou que teve consultas canceladas após a saída de dois oncologistas da unidade. Em setembro, ele foi informado de que o atendimento previsto seria remarcado, mas recebeu novo aviso três dias antes da data porque a médica indicada também havia deixado o hospital.
Segundo mensagens enviadas pela unidade, o hospital aguardava a liberação de novas agendas pela coordenação médica e a contratação de profissionais para convocar os pacientes. José Luiz disse que busca uma transferência caso não consiga ser atendido no Andaraí.
Outra paciente, Nazaré Falcão, relatou estar há três meses sem médico e, consequentemente, sem receber quimioterapia. Ela faz tratamento no hospital há quatro anos e afirmou não saber se poderá dar continuidade ao procedimento.
A diarista Áurea Cristina também disse que teve três consultas desmarcadas e está há três meses sem avaliação do oncologista. Ela teme ficar sem a medicação prescrita por outro profissional, cuja receita cobria apenas um período limitado.
A Prefeitura do Rio reconheceu dificuldades para preencher todas as vagas de oncologia, embora tenha informado que especialistas foram contratados e que há editais abertos para novas contratações. Um processo prevê uma vaga para oncologista clínico, e outro inclui postos para oncologista clínico e onco-hematologista, todos com carga horária de 12 horas.
Fontes ouvidas pela reportagem relacionaram a dificuldade de contratação à terceirização dos serviços por organizações sociais, que, segundo esses relatos, enfrentariam problemas para atrair médicos e maior rotatividade de profissionais. A prefeitura afirmou que, desde que assumiu a gestão do hospital, contratou mais de 4 mil trabalhadores e reabriu serviços, mas não informou quantas vagas de oncologia estavam preenchidas.
O Hospital do Andaraí foi municipalizado há dois anos, quando o município recebeu R$ 100 milhões do Ministério da Saúde para ações emergenciais. A meta anunciada incluía a contratação de 800 trabalhadores e a ampliação da capacidade para 167 mil atendimentos anuais.
A unidade também ainda não atingiu a previsão de 450 leitos. Segundo o Censo Hospitalar da Secretaria Municipal de Saúde, eram 304 leitos em dezembro de 2024; atualmente, são 358, dos quais 42 estão impedidos e indisponíveis para uso.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que os pacientes apresentados na reportagem seriam agendados para atendimento na semana seguinte e declarou que novos leitos serão abertos durante a reestruturação do hospital.
Fonte: g1