Pacientes com câncer relatam que estão há meses sem consultas e, em alguns casos, sem quimioterapia no Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A interrupção ocorreu após a saída de oncologistas e o cancelamento sucessivo de consultas.
José Luiz Garcia de Andrade afirmou que foi atendido duas vezes pelo mesmo oncologista e depois informado de que o médico havia deixado a unidade. Uma nova consulta foi marcada, mas também acabou cancelada após a saída de outra profissional.
O paciente recebeu avisos de cancelamento para atendimentos previstos em setembro e outubro. Segundo as mensagens enviadas pelo hospital, a unidade aguardava a liberação de novas agendas pela coordenação médica e a contratação de oncologistas.
Sem previsão para retomar o acompanhamento, José Luiz disse que precisa usar analgésicos diariamente e pediu que, caso o hospital não possa atendê-lo, seja providenciada uma transferência para outra unidade.
Nazaré Falcão, que trata um câncer no Andaraí há quatro anos, relatou estar há três meses sem médico e sem receber quimioterapia. Áurea Cristina também afirmou ter tido três consultas canceladas e teme ficar sem a medicação prescrita por um profissional que já deixou a unidade.
A Prefeitura do Rio informou que contratou especialistas para o setor de oncologia, mas reconheceu dificuldades para preencher todas as vagas. Segundo o município, há editais em andamento para contratar oncologistas clínicos e um onco-hematologista, com jornadas de 12 horas.
Fontes ouvidas pela reportagem apontaram a terceirização por organizações sociais como um dos fatores associados à dificuldade de contratação e à rotatividade de profissionais. A prefeitura afirmou que, desde que assumiu a gestão do hospital, contratou mais de quatro mil profissionais e reabriu serviços que estavam fechados.
O Hospital do Andaraí foi municipalizado há cerca de dois anos, com repasse de R$ 100 milhões do Ministério da Saúde para ações emergenciais. Entre as metas anunciadas estavam a contratação de 800 trabalhadores e a ampliação da capacidade para 167 mil atendimentos anuais.
A unidade também ainda não atingiu a previsão de 450 leitos. De acordo com o Censo Hospitalar da Secretaria Municipal de Saúde, o hospital tinha 304 leitos em dezembro de 2024; atualmente, são 358, dos quais 42 estão impedidos e indisponíveis para uso.
A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que os pacientes apresentados na reportagem terão atendimento agendado para a semana seguinte e disse que novos leitos serão abertos durante o processo de reestruturação do hospital.
Fonte: g1