Setenta entidades e representantes da sociedade civil encaminharam ao Ministério Público Federal (MPF), nesta sexta-feira (16), um pedido de investigação sobre possíveis crimes de tráfico de pessoas para exploração sexual relacionados a uma estrutura de agenciamento de mulheres atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A manifestação também solicita a apuração de possíveis abusos contra mulheres refugiadas e de eventual participação de crianças e adolescentes em situações de exploração ou em esquemas de corrupção. O documento foi motivado por uma reportagem do UOL publicada na terça-feira (13), que relatou a suposta atuação de Vorcaro como sócio oculto de uma agência de prostituição.
Segundo as entidades, as informações divulgadas descrevem uma possível estrutura de recrutamento, deslocamento, hospedagem e encaminhamento de mulheres brasileiras e estrangeiras para eventos privados no Brasil e no exterior. Entre os pontos citados estão mensagens sobre uma jovem ucraniana de 19 anos, mecanismos de controle sobre participantes e a retirada de celulares durante um evento em Londres.
O grupo também pediu que o MPF apure a eventual utilização de mulheres como contrapartidas em negociações empresariais, além da idade das participantes desde o primeiro contato. A manifestação solicita ainda investigação sobre agências, empresas e intermediários, rastreamento de pagamentos e passagens, perícia em mensagens e documentos e medidas de proteção e assistência às possíveis vítimas.
As entidades afirmam que o pedido não questiona o exercício voluntário da prostituição por adultos. A apuração, segundo o documento, deve verificar se houve violência, fraude, coação ou abuso de vulnerabilidade no recrutamento, transporte, alojamento ou acolhimento das mulheres.
Vorcaro negou envolvimento com uma rede de prostituição. Em nota, a defesa afirmou que mensagens e áudios divulgados foram apresentados de forma descontextualizada, que ele não reconhece a autoria ou a autenticidade de parte do material e que pretende colaborar com as investigações. O pedido das entidades não significa, por si só, comprovação dos crimes denunciados.
Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 4 de março, em São Paulo, em uma investigação sobre supostas fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Banco Master, instituição da qual era proprietário.
Fonte: g1