A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nas eleições deste ano, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A prisão preventiva foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF e a Procuradoria-Geral da República, Canella seria o articulador político de uma organização criminosa que usava postos de combustíveis para lavar dinheiro. Os investigadores afirmam que ele fazia a ligação entre agentes públicos, empresários e operadores do grupo, além de influenciar nomeações e contratos.
A investigação cita anotações apreendidas na casa de um policial civil com registros de repasses atribuídos a pessoas identificadas como “Canela”, “JR” e “Amigo”. De acordo com a PF, os valores associados a Canella somam R$ 139 mil e estariam relacionados a dois postos de combustíveis.
A análise financeira também identificou cerca de R$ 2,59 milhões em créditos nas contas do político entre maio de 2025 e abril de 2026. Desse total, aproximadamente R$ 1,4 milhão teria vindo da Brumar Empreendimentos e Participações, empresa da qual Canella era sócio. Para os investigadores, a movimentação pode ter dificultado o rastreamento da origem dos recursos.
A PF sustenta ainda que Canella articulou a indicação de Marcus Amim para cargos no Detran-RJ e na Secretaria de Polícia Civil. Amim também foi preso na operação, junto com quatro inspetores da corporação. A investigação afirma que a ocupação de postos estratégicos teria servido para proteger as atividades do grupo, mas as suspeitas ainda dependem da apuração judicial.
O relatório policial menciona possíveis relações políticas com milícias e com integrantes do Comando Vermelho. Entre os elementos citados estão a nomeação da mulher de uma liderança miliciana para um cargo no gabinete de Canella e uma suposta negociação sobre a retirada de barricadas em Belford Roxo. A PF ressalta que os áudios analisados não indicam conversa direta de Canella com chefes da facção.
Os investigadores também apontam que a rede de postos poderia misturar receitas legais e recursos de origem ilícita. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou movimentações de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026 entre pessoas e empresas analisadas, valor que não corresponde, por si só, ao montante comprovadamente lavado.
Canella já havia sido preso em flagrante em julho, durante a sexta fase da operação, após a PF encontrar um fuzil em seu veículo. Moraes determinou sua soltura três dias depois, e as medidas cautelares foram revogadas em 23 de julho. A defesa informou que não se manifestará até ter acesso aos autos.
Fonte: g1